A Moinho Jaraguá é a primeira empresa de Santa Catarina a conquistar o Selo de Conformidade Cidasc (SCC), certificação que regulamenta o processo de transformação e produção de alimentos no Estado. Após mais de um ano e meio em processo de orientação e adequação do parque fabril, a empresa jaraguaense terá a conquista oficializada na noite de hoje (14), às 19h, em uma solenidade no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC). No total, oito empresas catarinenses foram selecionadas para participar da primeira etapa do projeto, criado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e iniciado em 2014. O selo tem como objetivo fortalecer a atuação das empresas do ramo rural e agrofamiliar, comprovando que determinado produto passou por processos rigorosos de controle de qualidade de manipulação, produção, distribuição e higiene, entre outros aspectos da cadeia produtiva. “O selo engloba desde a produção da mercadoria no produtor, até a chegada ao parque fabril e depois no consumidor, fazendo classificações, exames, emitindo laudos sobre toxinas, orientando funcionários sobre higiene pessoal e de maquinário. Tudo para comprovar que o alimento está pronto para ser comercializado”, explica o proprietário da Moinho Jaraguá, Sandro Wille, que atua no ramo há mais de 20 anos. Mais do que certificar o produto, o projeto da Cidasc ajuda a ampliar a compreensão dos pequenos negócios rurais sobre a legislação e normas vigentes no país, orientando os empresários a respeito de ações que estejam alinhadas com estas normativas. “Para nós, é algo que vem para melhorar os processos. Nós temos uma legislação no Brasil, mas sempre vem a questão de como fazer. Falta orientação. Esse projeto vem para mostrar que caminho seguir”, opina Rosilda Antunes, gerente de vendas da Moinho Jaraguá. Conforme Wille, a expectativa é que as novas embalagens, já certificadas com o selo, comecem a circular no mercado a partir da próxima semana. Hoje, a Moinho Jaraguá é responsável pela comercialização de mais de 450 toneladas por mês de cereais, que são distribuídos para mais de 1.550 clientes ativos. A empresa, que conta com 15 funcionários, foi fundada há 40 anos para comercialização de milho e fubá, e em 1988 adquirida pela família Wille, que ampliou o parque fabril e hoje conta com uma gama de 31 produtos de marca própria e 40 produtos de marcas variadas. “A certificação é uma tendência de mercado. O consumidor tende a dar mais preferência por produtos que recebem este tipo de acompanhamento. Nós como consumidores também queremos comprar alimentos de origem, que tenham controle. E, como empresa, entendemos que é uma forma de se destacar no mercado cada vez mais concorrido e exigente”, avalia Wille. Segundo o proprietário da empresa, a questão cultural é um dos maiores desafios do processo, especialmente no ramo rural, que envolve práticas aprendidas de pai para filho e muitas vezes conhecimentos populares. “Os funcionários estão acostumados a trabalhar de uma forma e às vezes o simples uso de uma toca já causa estranhamento. Mas é um processo importante, que exige seu tempo, e pudemos contar muito com o apoio de toda a equipe”, relata o empresário. Para celebrar, a empresa preparou um café para os colaboradores. Dentre os benefícios trazidos pela certificação até agora, Wille destaca o rendimento da equipe, que cresceu nos últimos meses, devido aos processos mais enxutos e eficientes, e a diminuição do chamado recall, a troca de produtos. “Estamos tendo mais controle de aspectos como umidade e armazenamento, o que é excelente quando se fala em grãos que tem tendência a ter mofo, como o feijão, por exemplo”, avalia. 21 empresas buscam selo Atualmente, 21 empresas estão em processo de certificação em todo o Estado, segundo informações da gestora estadual da divisão de classificação vegetal da Cidasc, Valdirene Bizolo Sommer. No total, são realizadas entre 12 e 20 consultorias mensais para a conclusão do processo, dependendo do perfil da empresa e do número de adequações necessárias para atender às demandas do selo. “A função principal é dar garantia da segurança dos alimentos em todo o processo. Assim o empreendedor pode trabalhar sua marca com segurança, agregando valor de mercado”, destaca Valdirene. A maioria das empresas atua nos segmentos de climatização, cerealista ou de conservas. “É importante ressaltar que este selo precisa ser renovado a cada seis meses por meio da realização de uma nova auditoria, o que torna o processo mais seguro e eficaz”, complementa a gestora da Cidasc. Para participar ou solicitar mais informações, basta entrar em contato com a divisão de classificação vegetal da Cidasc pelo telefone (48) 3665-7081. Também é possível conhecer melhor as etapas da certificação no site da Cidasc.