O mercado financeiro revisou para cima as projeções de juros, inflação e dólar para 2026, ao mesmo tempo em que reduziu a expectativa de crescimento da economia brasileira. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Banco Central.
A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano. Atualmente, a taxa está em 13,75%, e os analistas ainda esperam uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina nesta quarta-feira (4).
A revisão indica, no entanto, que o mercado já não espera um segundo corte de juros até dezembro, como previa anteriormente.
As projeções para a inflação também pioraram. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, subiu de 5,19% para 5,22% em 2026. O percentual está acima do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
Para 2027, a previsão de inflação avançou de 4,34% para 4,76%, enquanto a estimativa para a Selic passou de 11,75% para 12,50% ao ano.
A perspectiva de crescimento econômico também foi reduzida. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,80% para 1,76%. Para 2027, a expectativa passou de 1,31% para 1,20%.
Outra mudança significativa ocorreu nas previsões para o dólar. O mercado passou a estimar que a moeda norte-americana encerrará 2026 cotada a R$ 5,34, contra R$ 5,05 na pesquisa anterior. Para 2027, a projeção subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40.
O levantamento é o primeiro realizado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais. O resultado eleitoral foi acompanhado por turbulências no mercado financeiro e aumento das preocupações de investidores com a condução da política fiscal nos próximos anos.
O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras e economistas para os principais indicadores da economia brasileira. As projeções não representam decisões do Banco Central, mas servem como referência para avaliar as perspectivas econômicas do país.