Em 2016, o material escolar acompanhou de perto a inflação de 10,67% e ficou, em média, 10% mais caro em relação ao ano anterior, indica a ABFIAE (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares). Além da elevação nos preços, outro fator tem contribuído consideravelmente para um começo de ano pesado para os bolsos dos pais. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), os impostos aplicados sobre os itens escolares podem chegar a quase 50% no Brasil. A caneta é o item com maior carga tributária, de 47,79%. Em seguida vêm a régua (44,65%) e a agenda escolar (43,19%). A atendente Daiany Rocha ficou surpresa ao saber do peso dos impostos no material dos filhos. Até então, a jaraguaense nunca tinha parado para avaliar a quantidade de tributos paga nesses produtos. “É um absurdo”, indigna-se. “Querendo ou não é um investimento para o futuro, por isso deveria ser algo mais acessível”, acredita. Com dois filhos em idade escolar, Daiany conta que o material é uma das contas que mais pesam no começo do ano. Para entender o custo que o início do ano letivo representa aos pais, a reportagem do jornal O Correio do Povo fez as contas do mínimo que é preciso gastar para completar a lista de materiais. Foram usados como base os itens exigidos para um aluno do 5º ano do ensino fundamental da rede municipal de Jaraguá do Sul. A lista é composta por 28 itens, sendo que dois deles são materiais didáticos vendidos na própria escola. Em uma papelaria tradicional no centro da cidade, a soma dos produtos mais em conta das prateleiras é de R$ 86,77. Se inclusos os materiais comercializados pela escola, o valor sobe para R$ 104,77. A lista não inclui mochila, mas, como o item é fundamental, também é preciso colocar na soma – o valor mais barato para esse item era de R$ 35. Somando tudo, a conta fecha em R$ 139,77. De acordo com o economista Jamis Antonio Piazza, para entender o quanto essa despesa influencia na renda familiar, basta compará-la com o salário mínimo, que hoje é de R$ 880 reais. Por exemplo: uma família que ganha dois salários mínimos (R$ 1.760 reais) e tem duas crianças em idade escolar gastaria, levando em conta os cálculos acima, R$ 173,54, valor que representa quase R$ 10% de toda a renda. Conforme Piazza, se levados em conta as despesas com transporte, alimentação e vestuário, não é difícil começar o ano no vermelho. “Sabemos que a educação é inquestionável e é o investimento mais importante que uma família tem que fazer, mas é possível buscar as melhores alternativas para que esse custo se torne mais acessível”, aconselha a ele. Para a inspetora de qualidade Danili Tumin, os altos custos tem promovido uma mudança de comportamento na hora de comprar. “A cada ano fica mais caro, por isso agora eu pesquiso bastante e compro um pouco em cada lugar”, diz. De olho nas contas! Confira oito dicas do economista Jamis Antonio Piazza para economizar no material escolar: 1. Reaproveite materiais antigos que ainda estão em boas condições, especialmente famílias com mais de uma criança em idade escolar. 2. Compre somente o necessário. Itens supérfluos e que não fazem parte das exigências da escola tendem a aumentar muito a conta final. 3. Evite levar as crianças no dia da compra. Elas são facilmente induzidas pelas marcas, que costumam cobrar valores extremamente altos apenas por causa da etiqueta. 4. Pesquise muito! A variação de um mesmo produto pode chegar a 500%, segundo levantamento do próprio economista. 6. Preste atenção nos itens mais baratos. Produtos como borracha, régua e apontador normalmente apresentam grandes variações de preço entre as lojas. 7. Compras coletivas resultam em descontos bastante atrativos. Convide a família, os amigos ou os vizinhos para efetuar as compras em um atacado. 8. Aposte no sistema de troca-troca, em que se dá um livro ou apostila em troca de outra. Além de não jogar fora os livros antigos, é possível economizar nos novos. R$ 173,54 é o valor mínimo gasto com material escolar, incluindo mochila e itens vendidos pela escola, para um estudante do quinto ano da rede municipal Fique sabendo Há mais de cinco anos tramita na Câmara Federal o Projeto de Lei 6.705/2009, que propõe a isenção de IPI (Imposto sobre Produto Industrializados) e alíquota zero de PIS/Pasep/Cofins para materiais escolares. Mas a medida, que reduziria consideravelmente o preço dos produtos, segue sem definição.