Maldaner, novo presidente da Acias, prega visão positiva

Por: OCP News Jaraguá do Sul

11/02/2016 - 06:02 - Atualizada em: 11/02/2016 - 16:09

Conhecido pelo engajamento em prol do setor empresarial de Schroeder, o contador Rogério Maldaner retorna à presidência da Acias (Associação Empresarial de Schroeder) – entidade que fundou há vinte anos – com a missão de ajudar a manter o crescimento da cidade em meio a um cenário econômico adverso e desafiador. Otimista sem tirar o pé do chão, Maldaner vê o associativismo como uma das ferramentas mais poderosas no combate a crise e acredita que é através do desenvolvimento conjunto que a região poderá conquistar patamares ainda melhores. O empresário assume a presidência da Acias oficialmente no próximo dia 25, com uma cerimônia que “em nada lembra as reuniões em cadeira de palha dos primeiros anos da entidade”, brinca ele. Ao lado do vice-presidente Claudio Adão da Cruz, Maldaner irá comandar a entidade pelos próximos dois anos.

OCP – Como o senhor avalia a conjuntura econômica atual?
Rogério Maldaner –
É inegável o momento de crise que estamos atravessando. É inegável o desemprego, que somou 1,5 milhões de pessoas, e a massa que está restringindo o consumo. Ao mesmo tempo há uma crise de credibilidade. Hoje quem tem um pouco de dinheiro está deixando para investir mais tarde e esse é o grande problema. As empresas possuem uma situação econômica, um dia a dia, que exige um ponto de equilíbrio, e como conseguir se manter a ponto de não entrar em uma situação deficitária? Estamos pagando um preço que não precisaríamos estar pagando. É o peso da corrupção, da má gestão, das visões erradas e da não valorização do nosso coletivo.

E como contornar esta situação?
Se estamos na época das “vacas magras”, antes de tudo é preciso acreditar que esta dificuldade vai passar, porque quando vierem as “vagas gordas” quem estiver com o negócio alinhado é que terá condições de sair na frente. É agora que o empresário precisa acreditar no seu negócio, no momento difícil que é preciso cuidar mais. Encontrar o seu ponto de equilíbrio e, principalmente, ter coragem de mudar. O mundo está em constante mudança. É necessário ter a confiança de que a mudança é para o bem e saber que isso exige sair da zona de conforto. Ao invés de trabalhar no negócio, trabalhar o negócio: se trabalho no negócio sou um tarefeiro, mas se eu trabalho o negócio estou preparando a minha empresa para ser melhor.

Qual é a importância do associativismo nas lutas do setor empresarial?
Eu sempre defendo que duas cabeças pensam melhor do que uma. O associativismo é a união de empresários para que o grupo pense no que é melhor não para si, mas para o seu meio econômico. É pensar que se o meu município vai bem, o comércio vai bem, o emprego vai bem, a distribuição de renda vai bem. Na medida em que as pessoas se unem para discutir melhorias do sistema econômico e social, do ambiente de negócios, é possível criar um cenário mais positivo. O mesmo vale para os municípios vizinhos, temos que pensar que se toda a região cresce, isso beneficia a todos. O nosso vizinho estar indo bem é muito bom! Não devemos querer ser melhores uns do que os outros, mas crescer juntos.

E como essa força pode ser colocada em ação?
Tivemos um exemplo muito bom aqui em Schroeder no ano passado. Estávamos com uma situação difícil de energia elétrica que impedia as empresas de crescer. Mas, ao invés de só reclamar e reivindicar, um grupo de empresários do setor fez um trabalho prévio de diagnóstico dos gargalos e pontos de maior problema, ao mesmo tempo em que trouxe sugestões do que poderia ser feito para melhorar. Ao levar esse trabalho para os órgãos responsáveis, a diferença foi que esse grupo soube também ser a solução, e de forma conjunta.

Um dos maiores desafios na região é ensinar o consumidor a valorizar o que a cidade oferece. Como está Schroeder hoje nesse quesito?
O consumidor sempre busca novidade, bom atendimento e preço baixo, e é natural que as pessoas busquem isso em outros lugares. Por outro lado, vemos relatos de comunidades europeias em que a população compra um produto justamente por ele ter sido fabricado na sua região. O desenvolvimento permanece ali. Existem ações pontuais que ajudam neste quesito, mas também vemos que uma solução é aproximar os associados para que eles passem a se apoiar entre si. O mesmo vale para o poder público: para que comprar fora se apoiando as empresas locais o dinheiro permanece aqui, circula aqui e o próprio tributo retorna à região. Essa é a nossa luta.

Na sua avaliação, os municípios da região estão preparados para o futuro?
Eu acredito que sim, estamos preparados. É natural do ser humano ter certa ansiedade sobre o futuro, a culpa do passado e pensar pouco no presente. Mas se analisarmos a nossa história, vemos empresas que acreditaram nelas mesmas, sonharam e deram os passos necessários para alcançar seus sonhos. Temos que enxergar as qualidades dos nossos empresários. O empresário de uma pequena empresa é um leão que precisa tomar decisões e enfrentar situações em um cenário que não é o ideal. Então sim, nós estamos preparados para o futuro, mas para isso precisamos trabalhar diferente, sair do nosso negócio, olhá-lo de fora, num contexto. Sem fazer isso são grandes as chances de não perceber que o mundo está mudando e alguém mudar na sua frente.

Quais os maiores gargalos de Schroeder?
A nossa cidade, como toda a cidade, tem pontos fortes e fracos. Temos hoje o ar e a água mais limpos do Estado, pessoas organizadas e trabalhadoras e uma cultura própria, apoiada na força de suas origens. Então há um momento empreendedor interessante. Nosso ponto fraco, entretanto, é que somos uma cidade à margem, no sentido de que o progresso não passa por nós como em Guaramirim ou Jaraguá, ele passa ao lado. Outro aspecto é a geografia, temos bairros que estão muito mais próximos de cidades vizinhas que do próprio centro da cidade. A nossa comunidade hoje gera riquezas em outros municípios, mas demanda por educação e saúde aqui, por exemplo. Por outro lado, temos a BR-280 que vai possibilitar uma nova visão da cidade, seja para negócios ou para turismo.

Quais serão as principais bandeiras da Acias nesta nova gestão?
Eu diria que trazer uma visão positiva do futuro para os nossos associados em primeiro lugar, para que eles mantenham o seu entusiasmo em trabalhar e ter sua empresa bem estruturada. Ajudá-los para que na crise eles consigam se manter e que no momento bom estejam preparados para ganhar dinheiro. Também queremos trazer o associado para perto, mostrar uma perspectiva nova e empreendedora, trazer novos paradigmas, pautados naquelas mudanças que estão nas laterais e não no centro do foco. Fazer com que ele perceba que com informação e apoio ele pode fazer pequenas mudanças e gerar grandes resultados. E fazer com que outras empresas venham para dentro da associação também. Queremos ser o ambiente de debate, de conversa, para que possamos ajeitar os nossos negócios juntos.

 

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Publicação da Rede OCP de Comunicação