Mais da metade os alunos que se matricularam no ensino superior em 2010 não se formaram com os colegas do curso em que entraram, segundo levantamento inédito do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgado esta semana.

Dos 2,5 milhões de alunos matriculados em instituições de ensino superior no ano, 55,6% não completaram o curso.

O percentual é equivalente a quase 1,4 milhão de estudantes. O estudo não aponta exatamente quantos deles, além de abandonarem o curso, deixaram de buscar a formação superior.

Nem todas as saídas são desistências: elas podem estar relacionadas a mudanças de universidade, de curso e até de turno em relação à matrícula feita em 2010.

Em dezembro, o instituto divulgará um segundo estudo, referente à situação dos calouros da turma de 2016.

Dificuldades financeiras

Segundo a pró-reitora de ensino da Univille, Sirlei de Souza, os motivos para a trancar ou desistir variam. "Dificuldades financeiras e questões pessoais são alguns dos motivos apontados pelos estudantes nas pesquisas feitas pela universidade", diz.

Entre as questões pessoais mais frequentes está a dúvida sobre a escolha profissional - que leva a troca de curso. Outros problemas são a dificuldade em entender o conteúdo das aulas (causada em parte pelo ensino médio deficiente) e tensões psicológicas.

Na instituição, o nível anual de evasão - contando desistências, trancamentos e transferências para outras instituições - gira em torno de 10% a 12%.

"O índice é alto se pensarmos que desistir frustra um sonho do aluno e da própria família", ressalta Sirlei. O curso de administração é o que tem o maior índice de desistências, segundo os dados do Inep: 61,5% dos ingressos não terminaram o curso.

A nível nacional, a maior parte das desistências ou mudanças ocorrem nos três primeiros anos: 38,3% dos matriculados em 2010 largaram o curso entre 2010 e 2012, com 16,7% de desistências em 2011, no segundo ano.

Em busca de manter o aluno, instituições contam com programas de apoio pedagógico e psicológico, assim como com bolsas e programas de nivelamento educacional.

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