“É preciso focar no futuro, na inovação. Não dá para ficar parado, ver o barco afundar e não fazer nada. Foi por isso que abri uma loja nova nesse local. Busquei o diferencial acreditando que vai dar certo”, afirma a lojista Maria Laura Bernardes Lohr, 31 anos, que atua no segmento de produtos e acessórios para o público do rock e, desde março, se estabeleceu na Rua Reinoldo Rau. Ela faz parte do grupo de empreendedores do setor do comércio de Jaraguá do Sul, inseridos no índice de 1.28%, que optaram por enfrentar a crise econômica e abrir um novo negócio em 2016. Maria Laura conta que a decisão em abrir uma nova empresa ocorreu em um momento crucial, depois de seis anos de atuação no mesmo segmento, quando as contas e os custos com aluguel e funcionários começaram a se avolumar. “No ano passado, pagava aluguel alto e tinha cinco funcionários. Aí pensei: ou mudo, inovo, ou fecho de vez”. A segunda opção pareceu mais acertada e foi o que fez, quando apareceu a oportunidade de alugar um espaço-container, mais amplo, com mais visibilidade e estacionamento gratuito para os clientes. “Já tinha um estoque inicial de R$ 100 mil, que trouxe para cá, e coloquei mais R$ 10 mil para me instalar aqui. Antes, o custo mensal era de R$ 25 mil por mês e hoje reduziu mais da metade”, atesta a empreendedora. Agora, com dois funcionários, o estabelecimento é referência na venda de camisetas de bandas e artigos e acessórios para motociclistas: “Para mim, foi um baita negócio, porque consegui reduzir o preço das mercadorias em 20%, o público está vindo e estou conseguindo me manter tranquila”, relata. A realidade apresentada pela lojista Maria Laura Lohr é uma tendência referendada pelo número de estabelecimentos comerciais registrados junto à Prefeitura de Jaraguá do Sul, de janeiro até 20 de abril deste ano - 14.735 registros ativos – que aponta um leve crescimento em relação a dezembro do ano passado, quando haviam 14.549 lojas ativas cadastradas. Em 2014 eram 13.460 empresas ativas e em 2013, 12.564 lojas em atividade registradas. O diretor de Receita Fiscal da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Marcos Dellagiustina, reconhece que o incremento de 1.28% do ano passado para cá não é expressivo, mas ressalta o diferencial da cidade, apontada como berço do empreendedorismo catarinense. “Santa Catarina se destaca em empreendedorismo e Jaraguá do Sul, mais ainda. A reengenharia está causando demissões, mas as pessoas não ficam na dependência, porque vêem na crise uma oportunidade”, sintetiza. As palavras de Dellagiustina são compartilhadas pelo presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Jaraguá do Sul, Marcelo Nasato, em referência ao enfrentamento da recessão. Ao mesmo tempo que Nasato reconhece o desembarque de 16 associados da entidade que encerraram as atividades até março, dos mais variados segmentos, ressalta que “muitos desempregados estão optando por serem empreendedores individuais”.