A União Européia e o Mercosul terem finalmente chegado a termos finais para um acordo de livre comércio é motivo para comemoração, mas também para ressalvas, segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), pois ainda não se sabe quais serão os setores potencialmente beneficiados - ou impactados negativamente.

Conforme comunicado oficial feito pela comissão europeia na última sexta-feira e confirmado pelo governo brasileiro, chegou-se a um acordo político para um acordo comercial “ambicioso, equilibrado e abrangente, que consolidará uma parceria política e econômica estratégica e criará oportunidades significativas para o crescimento sustentável de ambas as partes, respeitando o ambiente e preservando os interesses dos consumidores e setores econômicos sensíveis”.

Justamente por isso que a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, ainda é cautelosa ao prognosticar quais serão os setores industriais catarinenses mais beneficiados ou em estabelecer prazos para que o anúncio se transforme em resultados práticos, como a efetiva redução das tarifas.

“O acordo abre ótimas perspectivas e deve ser celebrado. Mas ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, num processo que pode levar até dois anos”, diz Maria Teresa.

Maria Teresa Bustamante | Foto Fernando Willadino/Fiesc

“Além disso, o documento com os termos do que foi acordado ainda não foi divulgado e, por isso, neste momento não podemos dimensionar exatamente os impactos efetivos e os setores mais afetados”, completa.

“A demora no avanço das negociações demonstram claramente o quão difícil foi chegar a este momento. E é por isso que ele é tão importante, mesmo que ainda não conheçamos os detalhes do que foi acordado e tenhamos ainda pela frente diversas etapas antes que as tarifas, efetivamente, caiam”, avalia Aguiar. “O mais importante é a sinalização para o desfecho positivo”, completa.

Entre as questões que ainda não estão claras para o setor empresarial é o que foi definido em aspectos como cotas para exportação de carnes bovina e de aves, setor automotivo e utilização de benefícios fiscais, como o drawback.

“Há de se reconhecer que este acordo talvez seja o primeiro que o Mercosul pretende de fato assinar com cláusula de acordo de última geração, que já não privilegia apenas a redução tarifária, e sim aspectos como defesa comercial, aspectos regulatórios, questões trabalhistas e de meio ambiente”, diz Maria Teresa.

Acordo mudou tom oficial

Com a assinatura do acordo entre os dois blocos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) mudou o tom ao falar de dois líderes europeus — a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron. Em entrevista coletiva no último sábado (29), o presidente amenizou o tom usado para falar dos europeus.

Antes, demonstrava intensa irritação ao comentar as críticas dos dois dirigentes sobre o desmatamento no país e a postura do Brasil em relação ao Acordo de Paris sobre o clima. Em transmissão via facebook, Bolsonaro disse que não foi ao encontro de cúpula do G20, em Osaka, no Japão, para levar um “pito” de ninguém sobre assuntos internos.

No sábado, no entanto, Bolsonaro disse que teve conversas cordiais e que falou com os dois líderes sobre “a psicose ambientalista” que existe com relação ao Brasil. Segundo explicou, “psicose ambientalista é achar que o meio ambiente está acima de tudo”.

 

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