Com a taxa básica de juros (Selic) mantida em 14,25% ao ano, os investimentos em renda fixa – que usam como base de remuneração condições preestabelecidas – têm se tornado cada vez mais atrativos e podem render até o dobro do valor remunerado pela poupança. Esta última, aliás, que é conhecida como a aplicação mais popular entre os brasileiros, deve ficar longe da mira de quem quer fazer o dinheiro render. Segundo o economista e agente autônomo de investimentos Rafael Lima dos Santos, com um rendimento de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), a poupança fechou 2015 com uma remuneração de 8%. Na prática, isso representa o que o economista chama de “perda no poder de compra”, já que o rendimento ficou abaixo da inflação registrada no ano (10,67%). “Do ponto de vista dos profissionais do ramo, a poupança não é vista como um investimento, ainda mais em um momento em que o poder de compra é corroído pela inflação”, diz o especialista. E a movimentação nessa modalidade tem mudado: após ter registrado acréscimo de R$ 71 bilhões em 2013 e de R$ 24 bilhões em 2014, no ano passado os saques superaram os depósitos em R$ 53 bilhões. A última vez que esse cenário havia ocorrido foi em 2005, quando os saques superaram os depósitos em quase R$ 3 bilhões. Nessa conjuntura, as melhores aplicações são aquelas que se baseiam justamente nas taxas de juros e índices de preço, comenta Santos. E diferente da conhecida premissa de que “quanto maior o retorno, maior o risco”, muitas dessas aplicações oferecem um Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que dá segurança ao investidor. “Se houver um problema com o banco, por exemplo, a poupança conta com o fundo, que cobre até R$ 250 mil reais por CPF ou instituição. Alguns investimentos de renda fixa têm a mesma garantia”, explica ele. Uma das alternativas que Santos aponta como bastante atrativa para quem deseja sair da poupança é o Tesouro Direto. “É uma forma de empréstimo ao Tesouro Nacional e existem diferentes modalidades”, detalha ele. Dentre as opções, uma das mais atrativas no momento é o chamado Tesouro Selic (LFT), que remunera de acordo com a taxa básica de juros. “Outra aplicação são as NTNs (Notas do Tesouro Nacional), que remuneram 7% mais o IPCA. Ano passado o retorno foi de 17,67%”, exemplifica. Em dezembro do ano passado, o estoque do Tesouro Direto registrou um montante de R$ 25,6 bilhões, o que representa um aumento de 67,3% em relação a dezembro de 2014. Os títulos que remuneram por índices de preço representaram 59,5% do volume de estoque. Em seguida vêm os títulos prefixados (20,9%) e os títulos indexados à Selic (19,6%). A maior parte dos títulos, 53,2%, é com vencimento entre um e cinco anos. Compra de imóveis pode ser vantajosa, mas exige atenção No mercado imobiliário, uma das opções que tem se mostrado atrativa é a compra de imóveis para investimentos. “Estamos em uma fase em que muitas empresas precisam vender seus imóveis e transformá-los em capital de giro, até pela própria dificuldade de crédito bancário. Aqui na região, já registramos até 20% de rentabilidade ao ano”, diz Acassio Samuel Vieira, corretor de imóveis e empresário do setor. O retorno de um investimento em imóvel costuma variar entre 18 e 36 meses, acrescenta ele. Ainda assim, a aposta exige cautela. Segundo Vieira, a saúde financeira da construtora é um dos aspectos mais importantes. “Se a empresa tem 20% da obra concluída e 90% dos imóveis comercializados e pagos, o investimento pode ser perigoso. É preciso entender qual é a capacidade do empreendimento de se pagar”, aconselha o corretor.   pagina 8   ENTREVISTA - Rafael Lima dos Santos / Economista OCP - Qual o primeiro passo para começar a investir? Rafael dos Santos - A primeira postura é entender qual é o rendimento que a pessoa possui hoje e quais aplicações estão disponíveis no mercado. A partir daí é preciso avaliar características como o prazo de aplicação, os valores mínimos e outros detalhes. Paralelo a isso, recomendo procurar o auxílio de um profissional que entenda quais opções se enquadram melhor. Como está o cenário de investimentos hoje? Momentos de crise sempre acabam induzindo uma educação mais aprofundada, uma busca por novas alternativas. Por isso, além de as pessoas procurarem alternativas que rendam mais, a crise gera uma remuneração mais alta, o investidor ganha junto com a taxa de juros e a inflação. Este é o melhor momento para investir em renda fixa. Na década de 90 muita gente fez fortuna em aplicações, vivenciando uma inflação de 30% ao mês. Não estamos assim, mas é um exemplo de que dá para aproveitar o momento. Quanto é preciso para começar? Os valores variam muito, mas no Tesouro Direto é possível começar com investimentos a partir de R$ 60 reais, já que dá comprar em frações. A partir de R$ 250 reais é possível adquirir uma Nota do Tesouro Nacional. Em aplicações como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), que remuneram mais, aconselha-se a partir de R$ 5 mil.