Entre os trabalhadores entre 18 e 24 anos, a taxa de desemprego é mais que o dobro da taxa da população em geral | Foto Arquivo OCP News

Entre os trabalhadores entre 18 e 24 anos, a taxa de desemprego é mais que o dobro da taxa da população em geral | Foto Arquivo OCP News

Em tempos de desemprego em alta, a falta de experiência faz com que os jovens sejam os que mais sofrem com o reduzido número de vagas, segundo dados do mercado de trabalho divulgados em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As estatísticas mostram que, entre os trabalhadores entre 18 e 24 anos, a taxa de desemprego é mais que o dobro da taxa da população em geral.

Enquanto a taxa geral ficou em 12,4% no segundo trimestre do ano, entre os jovens esse percentual salta para 26,6%. Conforme a idade aumenta, o desemprego diminui: na faixa dos 40 aos 59, cai para 7,5%. Acima dos 60, são só 4,4% de desempregados.

Segundo o diretor da agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Jaraguá do Sul, Ronnie Lux, a realidade jaraguaense é levemente diferente.

"O que eu acredito que seja a realidade de Jaraguá do Sul seja mais pela falta de qualificação, estudo ou experiência. Vemos aqui pessoas de 18 anos reclamando que não consegue emprego pela falta de experiência, gente de 30 dizendo que já não é mais tão jovem e pessoas na faixa dos 50 alegando que são excluídos pela idade", explica.

Ele ressalta que o país tem vivido um momento econômico complexo, com um grande número de profissionais com experiência e especialização em busca de emprego - um cenário que prejudica quem é menos experiente, inclusive a população mais jovem.

Vagas que favorecem os jovens

Ao mesmo tempo, Lux avalia que algumas vagas favorecem o trabalhador mais jovem. "Temos por exemplo processos de seleção para redes de lanchonetes, que exigem disponibilidade para levar a sua vida para outra cidade, o que favorece o jovem que tem menos para deixar para trás", explica.

Segundo o estudo do IBGE a maior taxa de desemprego é da população com idade entre 14 e 17 anos – ela chegou a 42,7%, mais que o triplo da taxa geral.

Mas há de se levar em conta que a legislação brasileira restringe a atuação profissional nesta faixa etária, que deve ser exercida sob condições específicas, como menor aprendiz, por exemplo.

De acordo com o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, a taxa de desemprego é muito maior entre os jovens por conta das barreiras que são impostas a ele para ingressar no mercado de trabalho.

Mercado busca profissionais capacitados

A capacitação do profissional, segundo o pesquisador, é custosa, e por conta disso, o mercado favorece quem já está capacitado.

Segundo Jessie Krause, consultora da agência de empregos MetaRH, de Jaraguá do Sul,  as vagas em aberto atualmente exigem experiência e formação, o que representa um obstáculo para quem está começando a vida profissional.

"O importante é manter-se atualizado e investir no aperfeiçoamento profissional, desenvolvimento de habilidades e competências o que diferenciará o profissional, além da formação acadêmica", diz.

A agência recebe diariamente entre 50 e 100 pessoas, de todas as idades, em busca tanto de primeiro emprego quanto de recolocação profissional.

Recém-graduados também encaram dificuldades

Não é somente entre a faixa dos 18 aos 24 que se encontra dificuldades: recém-graduados e formandos tem encontrado empecilhos para seus primeiros empregos no setor escolhido.

Segundo levantamentos da  empresa H &R Block, recém-formados tendem a ter taxas de desemprego que oscilam entre duas e três vezes a média de suas categorias profissionais.

Prestes a se graduar, o estudante de engenharia civil Gustavo Peitruka, 26 anos, relata encontrar dificuldades por conta da falta de oportunidades para estágio, devido em parte ao momento fraco para a área de construção civil.

"As empresas acabam não oferecendo vagas, e quando oferecem, acabam sendo tomadas por funcionários mais experientes", diz.

Peitruka diz entender o cenário para as empresas, e lembra que vários colegas pensam em sair da cidade ou da região pra tentar oportunidades numa cidade maior ou tentar algum concurso para a área, por ser mais estável.

"Na verdade faz sentido, por estarmos num processo econômico ruim, a empresa precisa de resultados e alguém que tenha experiência e bagagem pra fazer isso acontecer", diz.

Segundo o jovem, poucos de seus colegas estão com emprego regular na área, muitos migrando para outros empregos em busca de remuneração ou focando na área acadêmica.

Para pagar as contas, na falta de empregos na área, se recorre para outros setores. "Tu acaba pegando qualquer coisa porque realmente precisa do dinheiro", diz.

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