Se fosse necessário definir em poucas palavras o processo criativo da designer Danielly Schwirkowski, o termo “sem amarras” seria a escolha perfeita. Em um pequeno atelier montado no jardim da casa onde mora, no bairro Vila Lenzi, a jovem de 23 anos deixa as ideias fluírem quase que intuitivamente. Habilidosa, Danny (como gosta de ser chamada) transforma retalhos de couro e placas de borracha em calçados totalmente artesanais. Cada peça é única. A ideia de criar uma marca de sapatos aconteceu quase que sem querer, em meados de 2015. Na época, Danny tinha acabado de se formar na faculdade, após meses se dedicando a um trabalho que tinha como tema a fabricação de calçados feitos de garrafa pet. A imersão neste mercado fascinou a jovem empreendedora. Por isso, quando um amigo mencionou uma sapataria que estava à venda na cidade, Danny não pensou duas vezes: correu até o local e adquiriu quase todos os equipamentos e formas do antigo proprietário. “Na faculdade eu sempre pensava que queria ter um negócio próprio, só que não sabia bem ao certo como. Quando surgiu essa oportunidade, resolvi arriscar. Os primeiros sapatos que eu produzi foram um desastre, eu não tinha experiência prática, nunca tinha feito um curso. Tive vontade de desistir. Mas depois fui pegando o jeito e meus amigos começaram a gostar do resultado”, conta. empreendedora faz sapatos - em (2) No começo, cada parte do calçado era feito a mão. “O mais difícil era cortar a sola, porque o material é muito duro. Era complicado fazer algo padronizado sem ter uma máquina de corte”, relembra. A solução foi terceirizar esta parte do processo: hoje, Danny conta com um artesão parceiro, que realiza o corte das solas e das palmilhas com um equipamento especial. “O processo continua artesanal, mas assim consegui mais qualidade”, explica. Com o negócio estruturado e os processos bem definidos, a empresária resolveu investir na criação da marca. “Eu queria colocar meu sobrenome, mas ele é muito complicado, são muitas consoantes. Então eu pensei muito e cheguei no ‘Dkowski’. Criei também o saquinho para colocar o sapato dentro. Eu queria que fosse quase como um acessório, então transformei ele numa bolsinha. Usei vários tecidos diferentes para seguir a ideia de que cada um é único, como o sapato”, comenta a designer. linha azul https://www.youtube.com/watch?v=qXW53UF0VWo linha azul Movimento de moda sustentável Desde abril, Danny estipulou uma rotina de trabalho e metas a serem cumpridas. Ela produz, em média, três calçados por dia. “Eu costumo criar durante o desenvolvimento, sem muito planejamento em termos de modelo. Mexer com isso é quase uma terapia, não vejo a hora passar. Como trabalho com retalhos de couro, dificilmente consigo duas peças iguais, por isso foi natural trabalhar com a proposta de um calçado único”, diz Danny, que garimpa os materiais em todos os lugares que visita. Até agora, a Dkowski já comercializou mais de cem pares de sapato. As vendas são feitas pela internet, em uma loja exclusiva. O objetivo é disponibilizar pelo menos uma nova coleção a cada mês. “Já recebi ligações de pessoas do Pernambuco, do Rio Grande do Sul e outros estados, interessadas em comprar as sandálias. Muitos querem revender em suas lojas, mas por enquanto ainda não tenho essa parte estruturada. Mas com certeza é um passo para o futuro”, salienta. A jovem também acredita na força do movimento slow fashion, que prega formas de produção alternativas à produção em massa, com a oferta de opções artesanais produzidos com diferencial. “Os consumidores querem algo diferente, e eu quero que meus clientes vivam a experiência de se sentirem únicos. Até porque mesmo que alguém queria não vai ter um sapato igual. Além disso, utilizando esses materiais, eu consigo dar um novo uso para itens que seriam jogados no lixo, ou seja, é também uma forma de fazer algo mais consciente, transformando isso em um produto de qualidade”, destaca a designer.