Incubadora tecnológica de Jaraguá gera oportunidade para empresários

Incubadora tecnológica de Jaraguá gera oportunidade para empresários Incubadora tecnológica de Jaraguá gera oportunidade para empresários

Economia

Por: Pedro Leal

quinta-feira, 04:30 - 15/02/2018

Pedro Leal
Há um nome que passa por vezes desapercebido por trás de alguns dos projetos de empreendedorismo de Jaraguá do Sul e região: O Jaraguatec, a Incubadora tecnológica do Núcleo de Inovação e Pesquisas Tecnológicas da Católica de Santa Catarina. Lá, empreendedores tem a oportunidade de desenvolver suas ideias e dar os primeiros passos em suas empresas com riscos reduzidos e despesas menores do que teriam por conta própria. "Quando se fala em incubadora, a última coisa na qual as pessoas pensam é em tecnologia", nota o diretor-executivo do Jaraguatec, Victor Danich, "o que vem em mente são sementes, bebês prematuros ou ovos, então  as pessoas tem dificuldade em entender o que fazemos aqui". O espaço atual opera há sete anos - oficialmente, o Jaraguatec existe desde 2004, embora sua sede atual tenha sido inaugurada em 2011 - e durante seus 14 anos de existência,  passaram por ele 18 empresas graduadas enquanto outras 17 se desenvolvem. A incubadora oferece aos empreendedores espaço, conexão de internet, linha telefônica e serviços de consultoria e avaliação do negócio, por custos que vão de R$ 150 a 200 mensais. "É um projeto solidário. Temos no país muitas ideias que não vão para frente por falta de incentivo e de oportunidade, e aqui oferecemos isso por um custo baixíssimo", explica. Em 2012, o Jaraguatec recebeu da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) um total de R$ 198 mil, aplicados em um laboratório de eletrônica, compartilhado entre as empresas incubadas, e uma câmera termográfica - uma das únicas disponíveis no estado, Antes analistas, agora gestores Entre os empreendedores que se desenvolvem no Jaraguatec, há quem tenha passado de prestar um serviço dentro de uma empresa para gerir o mesmo serviço por fora - e buscar mais clientes em seu setor. Caso esse do analista de sistemas Edson Pio,  um dos fundadores da Meg i9 Soluções. Edson atuava na parte de sistemas da Systêxtil, empresa de gestão empresarial, com seus sócios Márcio Paludo e Gisela Vogt, antes de abrirem empresa própria para prestar o serviço para os clientes da Systêxtil, a pedido da empresa. A transição foi complicada. "Tinhamos um perfil mais técnico, e passar para o papel de gestores nos deixou bem preocupados", conta Pio. Do trio original, a equipe passou para seis pessoas - e os desafios cresceram. De acordo com o analista, eles deram sorte de ter aberto uma vaga no Jaraguatec durante esta transição. "Isso diminuiu bastante nossos custos e o contato com o pessoal das outras empresas tem ajudado bastante, é um pessoal bem aberto a troca de ideias", conta. Outro desafio é na parte técnica. "Estamos sempre buscando as melhores ferramentas para atender as necessidades dos nossos clientes, criando ferramentas satélite para a gestão de negócios e pequenos apps, mas isso envolve um pouco de risco, pois a ferramenta que hoje parece ideal no futuro pode não ter suporte", explica. Serviço essencial - e restrito Alguns dos serviços que operam na incubadora são altamente especializados - caso da LSK Metrologia, do analista Fabiano Küster. "A manutenção e a calibração de peças exige muita precisão, e esse é um serviço que as grandes empresas fazem internamente, mas seus fornecedores precisam de alguém que o faça", explica. O trabalho exige delicadeza e um ambiente controlado. Na manhã de segunda-feira, Küster controlava a temperatura do ambiente para poder medir as peças com a devida precisão. "Temos que levar em consideração a dilatação dos materiais, então só posso trabalhar na faixa dos 20ºC, para evitar distorções", conta. O laboratório dele é o único a prestar esse serviço na região, trabalhando com fornecedores da WEG e com unidades do Senai de vários municípios no estado. Com o crescimento da demanda e o sucesso da empresa, Küster já cogita sair da incubadora para o mercado aberto, embora os custos baixos para o espaço tenham ajudado a diminuir o impacto financeiro dos equipamentos dispendiosos: em apenas um padrão de precisão, Küster teve uma despesa de R$ 16 mil. Da Incubadora para sede própria Como o nome diz, o Jaraguatec serve como uma incubadora e, inevitavelmente, chega a hora que as empresas precisam "sair do ninho", como descreve o engenheiro de robótica Jean Karsten, da RBR Robotics. Após um ano e meio na incubadora e quatro anos de desenvolvimento, a desenvolvedora de robôs para uso industrial está migrando para uma sede própria. "Temos um faturamento garantido de R$ 5 milhões para 2018, com perspectiva para talvez dobrar isso", diz o empresário, orgulhoso do sucesso, ressaltando que chega a hora em que o ambiente da incubadora não é mais propício para o tamanho da empresa, e que é preciso abrir espaço para outros projetos. "Nem faz bem para a imagem da empresa depois de crescer tanto ainda ficar em uma incubadora", diz. Karsten destaca o valor estratégico de projetos como o seu - hoje, o país importa quase todos seus robôs industriais, e não conta com empresas voltadas para a produção dos mesmos. "Temos um apoio bem grande de empresários buscando uma solução nacional para essa demanda", diz. As empresas incubadas no Jaraguatec vem demonstrando sobrevivência muito superior a média nacional. Segundo uma pesquisa do Sebrae, 70% das empresas abertas no Brasil fecham antes de fechar um ano de operação, mas das 18 empresas graduadas do Jaraguatec, 14 ainda estão atuando no mercado. Segundo Danich, a maioria das empresas saí da incubadora por conta própria depois de se fortalecer.
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