Foto Eduardo Montecino/OCP News

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Chegar ao alto de uma montanha, sem sombra de dúvidas, é um misto de emoções e tem aquele sabor de vitória. As sensações proporcionadas são tantas que a prática se tornou parte da profissão do educador físico Carlos Alberto Reinke, de 33 anos.

O jaraguaense é apaixonado por desbravar a natureza desde os 7 anos de idade e montou a agência Guardiões da Montanha, que organiza travessias e caminhadas pelos locais mais belos e desafiadores do Brasil.

Antes de se dedicar ao montanhismo por completo, Reinke passou pelo mountain bike, rapel, voo livre e outros esportes. "Quando meu filho nasceu eu parei de voar, mas sempre amei estar no meio do mato. Até que veio a inspiração de criar o grupo, em maio do ano passado", conta ele.

Os eventos promovidos pelo Guardiões da Montanha contam com no mínimo dez quilômetros de extensão. Geralmente, as travessias duram mais de um dia, com acampamento durante a noite e retomada do percurso pela manhã, ou longas horas.

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A aptidão virou negócio. A agência realiza caminhadas para diferentes níveis de dificuldade. Para todas elas, os usuários pagam uma taxa de inscrição, com seguro incluído para o participante, e o valor do transporte. A empresa fornece um "kit dos Guardiões".

"Oferecemos a estrutura necessária para a segurança de quem está com a gente. Também fiz um curso renomado de primeiros socorros para que se caso aconteça algum acidente, as complicações possam ser minimizadas", explica Reinke.

Entre os equipamentos que acompanham o guia, está o Spot Gen3, um rastreador via satélite que envia mensagens de emergência com a localização ao ser acionado. As travessias sempre são feitas com o apoio de dois guias: Reinke e mais um funcionário.

Na maioria das vezes, o jaraguaense faz o trajeto sozinho antes de organizar o evento, para reconhecer a área. "Em alguns lugares, que são fechados, por exemplo, precisamos contratar o guia local. O que também é importante para incentivar o turismo de aventura", avalia.

Atualmente, o Guardiões da Montanha organiza dois eventos por mês. A verba arrecadada com as atividades da empresa são uma renda extra para Reinke, que trabalha durante a semana como educador físico e personal trainer.

"A intenção é que futuramente eu consiga viver apenas com o montanhismo, o que exige bastante dedicação" comenta.

Pela agência, além do suporte para as travessias, é possível comprar equipamentos, roupas, adesivos e outros produtos personalizados. "Trabalho das 5h às 22h, nos intervalos das aulas dou uma olhada no planejamento, monto mais alguns eventos, vou conciliando", explica Reinke.

O educador físico está fechando uma parceria com a faculdade Jangada para conseguir contratar estagiários. Segundo ele, essa é uma oportunidade dos estudantes terem essa vivência e deixar a equipe mais qualificada. Os estudantes vão acompanhar os trajetos com nível de dificuldade menor.

Quem pode praticar o montanhismo?

Segundo Carlos Alberto Reinke, a maioria das pessoas que faz as travessias tem de 35 a 60 anos, mas não existem restrições. Para participar, ele destaca a importância de ter uma rotina de atividades físicas e bom condicionamento.

"Quando uma pessoa mente que está bem, por exemplo, e acaba sentido o desgaste durante o percurso, todo o grupo é prejudicado. Temos que manter um ritmo comum para não dispersar no meio da mata, além do guia ter que levar a cargueira dele, mais a própria", conta o jaraguaense. A mochila de um guia pesa cerca de 25 quilos.

Nos trajetos onde há pernoite, os guias preparam uma janta para os participantes no acampamento. O prato, quase sempre, é a tradicional feijoada. Ao longo do caminho, o alimento costuma ser barra de cereal.

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Para quem deseja começar a praticar o montanhismo, uma das dicas de Reinke é investir em uma bota adequada, já que com o tênis a possibilidade de torcer o pé é maior. Uma mochila que distribua o peso e não concentre toda a carga no trapézio é outro ponto importante, assim como o bastão de caminhada.

Em relação aos trajetos para iniciantes aqui pela região, ele indica o Parque Malwee e o Morro das Antenas. No mês que vem, ele deve abrir as inscrições para uma subida ao Pico da Malwee. Já em 2019, um dos novos desafios é uma caminhada pelas montanhas do Peru.

Para o experiente guia, a travessia mais bela que ele já fez foi de Petrópolis a Teresópolis, com 30 quilômetros de extensão. Outra com alto nível de dificuldade, mas que ainda está na lista de objetivos do jaraguaense é a Serra Fina, entre São Paulo e Minas Gerais. Ele ainda cita a travessia do Monte Crista, em Joinville, e a do Pico Paraná, entre as cidades de Antonina e Campina Grande do Sul.

Relação com a natureza

O montanhismo é um esporte que está crescendo, mas essa expansão, conforme o educador físico Carlos Reinke, exige cautela com a fauna e com a flora.

"Em todos os eventos, frisamos que não é para retirar nada da natureza, apenas contemplar a beleza dela e preservar", explica.

Entre as preocupações do jaraguaense, está a trilha do Morro da Antena. "Ela já está muito aberta, tenho medo que acabe acumulando lixo e que a floresta seja desmatada", aponta Reinke.

É por meio da paixão pela natureza que o educador físico está realizando o sonho de conhecer o mundo e principalmente, o Brasil. Por essa e outras razões, ele luta pela preservação da mata para que as futuras gerações também possam ter tais experiências.

"Andar no meio do mato, conhecer novos animais, árvores, é maravilhoso. Não sei o que é mais difícil no montanhismo, porque quanto mais difícil, mais gostoso é. Para nós, o desafio faz parte do esporte", completa.

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