Jaraguá do Sul fechou o ano de 2020 sendo o quarto município catarinense com maior capacidade de energia fotovoltaica instalada. Os dados são do painel da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e foram divulgados neste mês de janeiro.

Conforme a publicação, a cidade tem 8.113,72 kW de potência instalada, ficando atrás apenas de Blumenau, Joinville e Florianópolis. No ranking nacional de maiores produtores de energia solar, Santa Catarina ocupa o sétimo lugar.

Sócio proprietário de uma das maiores empresas de energia solar do estado, Robert Gregory Fischer avalia que Jaraguá do Sul segue uma tendência nacional de crescimento do mercado.

Ele destaca que diversas indústrias, comércios e residências estão aderindo aos painéis solares como uma alternativa de fonte de energia, mais barata e sustentável do que a oferecida atualmente pelas concessionárias elétricas.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), desde 2012, os investimentos no setor já somam mais de R$ 36,5 bilhões, superando a marca de 219 mil empregos criados.

A busca crescente pela nova fonte de energia, conforme a Absolar, baseia-se principalmente nos pilares econômico e ambiental.

Para Fischer, a tecnologia está mais acessível hoje em dia, possibilitando que grandes empresas e até casas com pequeno consumo consigam adquirir os painéis solares.

"Além do preço do equipamento em si, ter diminuído, existem diversas linhas de financiamentos que tornam o investimento viável a qualquer bolso", comenta.

Reconhecimento nacional

Jaraguá do Sul também é destaque no mercado de equipamentos fotovoltaicos por conta da WEG, que é pioneira no fornecimento de soluções deste tipo de energia para o mercado nacional.

A gigante jaraguaense oferece soluções completas, incluindo módulos, inversores, transformadores, cubículos e subestações, além de toda a engenharia de integração e software aplicativo.

Foto Divulgação/WEG

No ano passado, a WEG assinou contrato com a Nebras Power, empresa global de desenvolvimento e investimento em energia e com a Canadian Solar, um dos maiores desenvolvedores de projetos de energia solar no mundo, para o fornecimento de Eletrocentros Solares de 7,0 MW e 8,0 MW.

O contrato previa a entrega dos equipamentos para o fim de 2020 e um faturamento de cerca de R$ 30 milhões para a WEG.

Mercado de trabalho é favorecido

Referente ao mercado de trabalho, projeções da Absolar apontam que a fonte solar fotovoltaica deve gerar mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros em 2021.

Segundo a avaliação da entidade, os novos investimentos privados no setor poderão ultrapassar a cifra de R$ 22,6 bilhões, somando os segmentos de geração distribuída (sistemas em telhados e fachadas de edifícios) e centralizada (grandes usinas solares).

De acordo com Fischer, na região de Jaraguá do Sul, o setor está absorvendo profissionais de diversas especialidades, como vendedores, engenheiros, eletricistas, profissionais de TI, publicitários e muitos outros.

"Aqui na Topsun, por exemplo, empregamos direta e indiretamente, mais de cem pessoas", salienta.

Energia do futuro

Pela análise da Absolar, serão adicionados mais de 4,9 gigawatts (GW) de potência instalada no país, somando as usinas de grande porte e os sistemas distribuídos em telhados, fachadas e pequenos terrenos.

Isso representará um crescimento de mais de 68% sobre a capacidade instalada atual, hoje em 7,5 GW.

"Em alguns anos, as fontes renováveis serão a principal fonte de energia nos países europeus, e o Brasil tende a seguir essa tendência, mesmo levando um pouco mais de tempo. Nosso país tem condições muito melhores do que a Europa para a energia solar, com grande território para instalação de usinas e irradiação solar bem mais alta, o que aumenta a eficiência de produção", completa Fischer.