A chamada economia compartilhada mudou a dinâmica das relações econômicas em vários setores - a exemplo do impacto de apps como Uber, 99 e Cabify sobre o transporte individual. No setor de hospedagens, o maior ator "comunitário" é a americana AirBnb.

Embora Jaraguá do Sul não tenha fortes tendências turísticas, a cidade não está fora deste ecossistema: uma busca na plataforma retorna mais de 300 ofertas na cidade e em suas vizinhas.

A diversidade é grande: são quartos em casas, pousadas, chalés inteiros, casas em chácaras, apartamentos e até uma simpática casa de bonecas reformada.

Jaraguá do Sul e região contam com inúmeras opções de hospedagem na plataforma | Foto Divulgação
Jaraguá do Sul e região contam com inúmeras opções de hospedagem na plataforma | Foto Divulgação

Todos locados por pessoas físicas, que tem na hospedagem uma fonte de renda complementar aproveitando quartos vagos, imóveis sem uso e outras acomodações com uma flexibilidade maior do que a oferecida pelo regime de aluguel.

Fundada em 2008, a plataforma hoje conta com mais de 5 milhões de acomodações listadas em 81 mil cidades de 191 países. Em 2017, registrou um lucro líquido de US$ 93 milhões. O sistema é simples e trabalha com os dois lados da transação.

Anfitriões podem listar suas acomodações com os preços e pagam uma pequena taxa de serviço para a empresa. Hóspedes tem acesso às listagens e meios de contato facilitado com anfitriões. Ao término da locação, ambas as partes são avaliadas pela outra em um sistema de reputação.

Lar da Artista e Apê do Viajante

Há três anos e meio, após tentativas infrutíferas de locar o apartamento aos fundos da casa na Vila Lalau - reformados do que era uma fábrica de blusas de lã -  a designer Thamy Secco e a mãe, a artista plástica Rosemarie Borgmann Secco, tomaram a decisão de anunciar os apartamentos pelo AirBnb - experiência de sucesso tanto em termos de retorno financeiro quanto de experiências.

"O contato com o hóspede sempre foi uma parte muito importante para a gente, receber, saber porque veio, de onde é, e isso ajuda a evitar problemas", conta. Thamy conta com o status de "superhost" na plataforma, com longo histórico de avaliações positivas.

Mãe e filha transformaram apartamentos em verdadeiras experiências | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Mãe e filha transformaram apartamentos em verdadeiras experiências | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Na época, havia apenas duas acomodações listadas na plataforma para a cidade e a empresa ainda não trabalhava em reais. Com a popularização do compartilhamento, veio a necessidade de se diferenciar.

Aproveitando das obras da artista, a dupla tratou de dar uma cara diferenciada ao espaço - uma maneira de destacá-lo em meio aos anúncios que se proliferavam. Nascia então o primeiro dos dois espaços anunciados por Secco, o Lar da Artista.

"A gente optou por dar este nome porque, assim como o contato com o hóspede, isso torna mais pessoal, cria uma relação. Não é mais 'apartamento para cinco pessoas na Vila Lalau'", explica. Mais recentemente, foi aberto outro espaço, também na Vila Lalau, com mais dois apartamentos, sob o nome de Apê do Viajante.

"Para esses espaços nós demos um tema de viagem, locais por onde passam os viajantes, fotos minhas de locais turísticos, para criar uma identidade", explica.

Hóspedes podem desfrutar de espaços pensados com carinho para os viajantes | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Hóspedes podem desfrutar de espaços pensados com carinho para os viajantes | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Como as despesas não compensam locações de apenas um dia, Secco trabalha só com hóspedes de dois dias ou mais, e para não "perder o controle" sobre o imóvel, recusa ofertas para mais de um mês.

Ela estima que 50% dos hóspedes venham a viagens de trabalho e que cerca de 30% venha para conhecer a cidade antes de se mudar. O movimento aumenta na época do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), e vários dos hóspedes neste período são recorrentes.

Com cinco camas, o Lar do Artista custa R$ 94 por noite para uma pessoa, com preço aumentando conforme o número de hóspedes. O apê do viajante, por sua vez, tem um preço base de R$ 110, também com espaço para cinco adultos. Ambos contam com amenidades como wi-fi, climatização e TV a cabo.

De casa de bonecas à casa nas árvores

Quando seus planos de se estabelecer em Guaramirim mudaram e sua morada passou para Jaraguá do Sul, a arquiteta Nádia Weigsding se viu diante de um problema: o terreno que mantinha em Guaramirim, com piscina e a casa de bonecas que havia feito para a filha, no terreno vizinho ao da sogra, havia virado uma despesa sem retorno.

"Eu estava perdendo dinheiro para manter o local sem uso", conta. A solução veio na forma do AirBnB e de uma reforma no espaço. De casa de bonecas, a simpática casinha virou uma casa elevada de um quarto mobiliado, atraindo locatários quase todos os fins de semana.

Casinha de bonecas virou quarto mobiliado | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Casinha de bonecas virou quarto mobiliado | Foto Eduardo Montecino/OCP News

"A sugestão de por no AirBnB veio depois que um médico alugou a casinha por três meses no ano passado. Se deu certo assim, por que não daria pela plataforma?", relembra Nádia.

A arquiteta tem experiência com o serviço como hóspede - em junho, viajou pela Europa em quartos alugados pelo AirBnb - e destaca que a diferença no tratamento.

"Lá eles fazem tudo o possível para não ter que lidar diretamente com o hóspede, enquanto aqui nós fazemos o contrário, tentamos ter esse contato, saber quem é, ajudar no caso de necessidade, entregar a chave pessoalmente", explica.

Grande parte da procura vem por pessoas que tem animais de estimação e não encontram lugar para ficar com seus pets.  "Não tem muitos espaços pet-friendly no AirBnB, então isso é um diferencial muito grande", conta.

Espaço conta com televisão e outros aparelhos eletrônicos | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Espaço conta com televisão e outros aparelhos eletrônicos | Foto Eduardo Montecino/OCP News

O espaço é reduzido, mas aconchegante, com cama de casal, televisão, uma pequena cozinha - limitada pelo espaço - e wi-fi inclusa.

O banheiro é externo e o espaço conta com piscina. Nádia cobra R$ 51 por noite para uma pessoa e R$ 75 por casal, com possibilidade de mais hóspedes para acampamento. "Já tivemos casos que casais trouxeram mais um casal de amigos e acamparam no terreno", diz.

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