Jaraguá do Sul fechou o ano com resultados positivos na geração de emprego, criando 477 postos de trabalho formais em 2018. Dos principais setores da economia local, a indústria fechou o ano com perdas - as menores em cinco anos, mas ainda assim negativas - e o comércio fechou o ano em alta.

Para representantes do empresariado, o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) aponta para uma retomada do crescimento e da geração de emprego em Jaraguá do Sul com a retomada do consumo. Esta retomada estaria condicionada às reformas econômicas em pauta no país.

No entanto, embora o ritmo seja de recuperação, para o principal setor econômico do município, a indústria, ainda há um declínio no emprego e a recuperação total das perdas registradas desde a crise econômica de 2015 não deve vir antes da próxima década.

Acijs: resultado é fruto de reformas

Segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, os números seguem as tendências da confiança do empresariado, em leve recuperação ao longo do ano passado.

Em seu entendimento, tanto os resultados nacionais quanto municipais são reflexos das reformas suscitadas pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) e devem ter um ritmo consolidado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"O ritmo deste crescimento deve ser consolidado com as medidas que o governo como um todo deve tomar, inclusive com as reformas que estão na pauta e que dependem do executivo e do Legislativo, para dar um cenário positivo de estabilidade e ajuste fiscal para que o país e o município continue crescendo", avalia.

Ramos aponta que ainda estamos com um índice de desemprego elevado, e que o ritmo de retomada do emprego ainda deve ser lento, dependendo das reformas que estão por vir. "Mas temos com estas reformas uma maior segurança para o empresariado, que com isso pode crescer com maior tranquilidade", aponta.

CDL: otimismo com a retomada do consumo

Seguindo o setor de serviços - movimentado por micro e pequenos empresário -, o setor de comércio registrou em 2018 o segundo melhor resultado para a geração de empregos: foram 184 empregos gerados no ano pelo setor, apesar da perda de 81 postos no último mês do ano.

Os resultados de 2018, no entanto, foram inferiores aos registrados em 2017: no ano retrasado, o comércio encerrou o ano com saldo positivo de 406 postos.

Assim como ocorreu com outros setores, comércio teve perdas significativas em 2015 - foram 427 postos perdidos no ano, que já foram completamente recuperadas pelo setor. Até 2018, o setor registrou crescimento real de 244 postos.

Conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert, a manutenção de resultados positivos e a consolidação de crescimento real indicam uma retomada no consumo, o que favorece a contratação no comércio.

"O comércio colheu bons resultados em 2018, com retomada do otimismo por parte do consumidor, fazendo com que o lojista investisse mais em seu quadro pessoal", avalia.

A perda de 81 postos no último mês do ano, segundo Seifert, é resultado do fim dos contratos temporários - o mês tradicionalmente registra saldos negativos em todos os setores.

"A nossa expectativa é de que em 2019, a geração de empregos continue, com maior abertura de empresas e otimismo ainda maior do consumidor", concluí, esperando que a geração de emprego do ano leve ao crescimento no consumo.

Recuperação de perdas

Ao mesmo tempo em que o município registra o melhor saldo geral desde 2014, seu principal setor econômico, a indústria, fecha o ano como um dos dois únicos a registrar saldo negativo para 2018.

Foram 158 empregos perdidos no setor, o resultado menos negativo em quatro anos. Mas entre 2014 e 2016, o setor perdeu mais de seis mil postos de trabalho.

Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, a indústria foi o setor mais prejudicado pela crise econômica que afetou o país entre 2015 e 2016, e o saldo negativo não deve ser zerado antes de 2021.

"A indústria ainda não retomou o crescimento, mas eu acredito que seja o início de uma retomada de geração de empregos, que realmente tenha uma recuperação de emprego e que isso gere consumo e, por extensão, fortaleça a economia", comenta.

Segundo o empresário, a reforma trabalhista ajudou a trazer segurança jurídica para as empresas, o que ajudou na empregabilidade, e as medidas econômicas propostas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), com maior abertura da economia, podem ajudar a retomar o crescimento.

"Mas ainda assim creio que não teremos a recuperação destas perdas antes de 2021, até por conta da queda no ritmo de contratações com a automação", aponta .

Até novembro, o setor trabalhava com saldo positivo para o ano: eram 10.118 contratações  e 9.189 desligamentos, com um saldo de 929 postos de trabalho. Mas no último mês do ano, foram apenas 135 contratações e 1.222 desligamentos, resultando em um saldo negativo para o mês de 1.087 postos.

O setor também havia sofrido perdas significativas no mês de agosto, com o fim dos contratos de trabalho e o fechamento definitivo das borrachas Wolf - o mês encerrou com saldo negativo de 308 postos para o setor.

 

Geração de empregos na indústria, ano a ano [GRÁFICO]

 

 

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