Chegando aos 144 anos em meio a uma das mais graves crises econômicas e de saúde de tempos recentes, Jaraguá do Sul se mostra confiante em sua recuperação ante aos impactos da pandemia do Coronavírus Covid-19, segundo entidades empresariais da região e a Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul.

Mesmo sofrendo impactos fortes da pandemia, que afetou todos os setores da economia, Jaraguá do Sul sustenta um plano forte de amenização dos impactos do vírus e de seus reflexos econômicos, diz o secretário de desenvolvimento econômico, Neivor Bussolaro.

"Fomos uma das primeiras prefeituras a agir de forma proativa, com a prorrogação de cobrança de IPTU, alvarás, ISS, tudo para amenizar o impacto sobre o empreendedor, deixando essa cobrança para novembro, dezembro", explica.

Em paralelo, a prefeitura se aliou a três instituições financeiras para a criação do programa Juro Zero, com empréstimos facilitados para empreendedores - e juros cobertos pelo poder público.

Foto Arquivo OCP News

Segundo o secretário, embora tenha registrado graves perdas - foram 1.261 empregos perdidos desde o começo do ano, por exemplo - Jaraguá do Sul tem se comportado de forma positiva ante a pandemia.

Não apenas houve comparativamente pouca redução nas atividades de empresas, como muitas - caso da WEG, por exemplo - se demonstraram aptas a transformar a crise de saúde em uma oportunidade para ação e para responsabilidade social.

Esforço coletivo

As medidas da Administração se unem aos esforços do comitê regional de resposta a pandemia, um grupo de trabalho composto por entidades empresariais e o Poder Público para pensar em estratégias para responder aos impactos do vírus.

Segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, Luís Huffenüssler Leigue, a parada forçada pela pandemia trouxe ao município oportunidades de reflexões sobre o futuro dos negócios e para as novas modalidades de trabalho.

"São novos desafios em áreas como a educação e na cultura empreendedora, onde já temos boas referências históricas, mas essa já era uma realidade para a evolução das relações econômicas e com a pandemia esta demanda se tornou ainda mais urgente", afirma.

"Há grandes cadeias que precisam se reinventar, e modelos na indústria que já evoluem no reposicionamento e na busca de valor, adequando suas áreas de negócios aos novos protocolos", explica.

Segundo o empresário, neste cenário, que depende muito também de como o Brasil se movimentará em termos de recuperação, a grande força para a economia regional continuará sendo mais visível com a movimentação de pequenas e médias empresas que ganharão oportunidades.

Foto Divulgação/Acijs

"Isto demandará mais atenção e agilidade nas suas estruturas de fomento seja na formação educacional de apoio a empreendedores como em linhas de crédito e nas políticas públicas para manter atividades e até no desenvolvimento de novos negócios", diz.

"As exigências sanitárias e os protocolos que passarão a ser cumpridos a partir desta nova realidade trazem a urgência de evoluir as matrizes econômicas e uma maior compreensão de todos os sistemas que envolvem a indústria, o comércio e os serviços", avalia Leigue.

"Temos agora a necessidade de compreendermos que os modelos de negócios se relacionam, da tecnologia que envolvem e que acaba sendo transversal a todos os segmentos", completa.

Perspectiva otimista

Para a presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do município, Talita Beber, a superação deste momento de crise virá por meio da conscientização constante de toda população sobre a importância da compra local e da valorização de aquisição de produtos da cidade.

"Mais do que nunca, precisamos apoiar toda a cadeia econômica de Jaraguá do Sul em busca de proteger os empregos, manter os impostos na nossa cidade e potencializar que o dinheiro que se encontre em nosso município fique aqui", reforça Beber.

O vice-presidente regional da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, também expressa otimismo quanto a recuperação econômica de Jaraguá do Sul.

"O cenário pós-pandemia em Jaraguá do Sul e região, na nossa expectativa, deve se apresentar de maneira mais favorável, com uma recuperação mais rápida do que em outras regiões, graças à característica de diversificação da nossa economia", acredita.

Foto Felipe Scotti/Divulgação

"Outro aspecto é o perfil inovador que também sempre esteve presente no empreendedorismo regional, o que agrega maior valor e uma capacidade de superação das empresas nos momentos de dificuldade", ressalta.

Segundo o industriário, o cenário é beneficiado pela ação do Comitê de Desenvolvimento Regional, que atua na definição de diretrizes em setores que darão suporte ao crescimento do município e região, considerando um modelo que cada vez mais está apoiado à economia digital.

"Outra preocupação é conhecer quais são as demandas de qualificação de mão de obra na região, não apenas considerando quem está entrando no mercado de trabalho como os trabalhadores que já estão empregados", conclui.

 

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