Os investimentos diretos no Brasil estiveram em alta em 2019: a posição de Investimento Direto no País (IDP) somou US$874 bilhões em 2019, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Os ingressos líquidos de IDP totalizaram US$69 bilhões (3,8% do PIB) em 2019. Além do ingresso líquido, o estoque recorde deveu-se à ampliação do valor de mercado das empresas de investimento direto no Brasil, estimada em US$88 bilhões.

Estas e outras estatísticas relativas ao Investimento Direto no Exterior (IDE) são apresentadas no Relatório de Investimento Direto 2020 (ano-base 2019), que pode ser acessado aqui. Os dados referentes a 2020 ainda não estão disponíveis - mas a tendência é que apresentem queda, com a fuga de dólares do mercado nacional e a crise provocada pela Covid-19.

O IDP representa as empresas que atuam na economia brasileira, nas quais investidores do exterior detém ao menos 10% de poder de voto. Esses investidores financiam as atividades da empresa no Brasil por meio de capital ou concessão de crédito (dívida).

O IDP é a maior fonte de financiamento para o balanço de pagamentos do Brasil. As atividades de grupos multinacionais na economia brasileira impactam não apenas o balanço de pagamentos do País, mas também influenciam emprego, produção, renda e desenvolvimento tecnológico.

Os lucros das empresas de IDP, compostos por lucros reinvestidos e distribuídos aos investidores externos (dividendos remetidos), totalizaram US$44 bilhões em 2019, 21% acima em relação ao ano anterior. A taxa de lucratividade, dada pela razão entre os lucros auferidos no período sobre o estoque de capital investido, atingiu 7,0% em 2019, ante 7,3% em 2018 e 2,4% em 2015.

Origem do investimento

Conforme o critério de país imediato, destacam-se como principais investidores os Países Baixos e Luxemburgo, países pelos quais são canalizados investimentos oriundos de terceiros países. Considerando o país de origem do controlador final do grupo multinacional, as principais origens de investimento direto no Brasil são Estados Unidos, Espanha, França, Bélgica e China.

Em 2019, as empresas no Brasil com participação estrangeira no capital na forma de investimento direto que atuam em serviços financeiros e atividade auxiliares responderam por 19,8% (US$117 bilhões) da posição de “IDP – Participação no capital”, seguidas por companhias pertencentes ao setor de comércio (9,8%), eletricidade (7,9%) e bebidas (7,9%).

Outras estatísticas de IDP

O Relatório apresenta outros temas como a quantidade de empresas de IDP identificadas pela pesquisa Censo de Capitais Estrangeiros no País (Censo) como Entidades de Propósito Especial (SPEs); processo de estimação de lucros de empresas de investimento direto, emissões de subsidiárias em mercado internacional, peso das empresas de IDP no comércio internacional brasileiro, e características das empresas de IDP como volume de emprego, folha de pagamentos e gastos em pesquisa e desenvolvimento.

De forma simétrica ao IDP, a posição de IDE também atingiu o maior valor da série em 2019, US$417 bilhões, enquanto as aplicações líquidas no exterior somaram US$23 bilhões. As empresas de IDE propiciaram lucratividade de 4,2% aos seus investidores no Brasil. O Relatório mostra ainda a forma de acompanhamento da coleta de dados e os desafios enfrentados na condução da pesquisa de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) durante a pandemia.

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