Uma situação que aparentava promissora ao estado - a instalação de uma fábrica da Lamborghini em Santa Catarina - tomou dimensões inusitadas nesta semana, com um processo entre a Automibili Lamborghini e a Lamborghini Latino America.

O projeto parecia estar em ordem: a Lamborghini Latino America prometia um plano de investimentos para abrir uma fábrica de veículos de luxo 100% elétricos, com investimento superior a R$ 300 milhões, e até havia feito reuniões com a governadora em exercício Daniela Reinehr, e com o prefeito de Balneário Camboriú, Fabricio Oliveira.

A lista de projetos inclui condomínio residencial de alto padrão em Governador Celso Ramos, centro de desenvolvimento tecnológico no Sapiens Parque e parcerias para licenciados da marca em vários setores, desde jeans até elevadores.

Não é o que defende a montadora italiana, no entanto. Segundo um comunicado da empresa ao blog argentino Autoblog Argentina, ela não reconhece as atividades da Lamborghini Latino America. A declaração veio em resposta a outro ciclo de visitas "oficiais" de Garcia, no Paraguai.

"A Automobili Lamborghini S.p.a tomou conhecimento de que o senhor Jorge Antonio Fernandez Garcia, também conhecido como Joan Ferci, se reuniu com o presidente do Paraguai, Mario Abdó Benitez, para conversar sobre o desenvolvimento e produção de um veículo elétrico com a marca Lamborghini. A Lamborghini não tem conhecimento de nenhum tipo de negócio relacionado com entidades na América Latina ou com o senhor Garcia e não tem intenções de produzir automóveis no Paraguai. A Lamborghini, inclusive, está prosseguindo com um processo judicial nos Estados Unidos e na Itália contra o senhor Garcia por conta do uso indevido e sem autorização da marca Lamborghini e seus produtos registrados".

A natureza do processo? O CEO da Lamborghini Latino America, Jorge Antonio Fernandez Garcia - que atende na indústria automotiva por Joan Ferci - não representa de fato a montadora italiana. Sua empresa, a Lamborghini Latino America, é "auto entitulada", e está sendo alvo de um processo judicial nos EUA e na Itália, segundo a comunicação institucional da fabricante de carros esportivos.

O representante no Brasil do mexicano, Gilson Perri, se apresenta como sócio da Automobili Lamborghini do Brasil Participações S.A. - outra empresa sem ligação com a fabricante italiana. A empresa tem sede em um terreno em Rio do Sul.

O mexicano foi representante oficial da italiana por um curto período de tempo, entre 1996 e 1998, quando a empresa foi vendida para um fundo de investidores da Indonésia. O contrato de representação, no entanto, foi encerrado em 24 de julho de 1998, quando a Lamborghini SpA foi adquirida pela Audi AG, reforçando o time de marcas de luxo do Grupo Volkswagen, atualmente composto também por Porsche, Bentley e Bugatti, segundo uma reportagem do UOL.

Em resposta, o empresário fez uso do artigo 13 do acordo firmado com os representantes da marca dois anos antes, no qual a Lamborghini Latinoamérica (nome da empresa fundada por Jorge) é autorizada "a fazer seus próprios redesenhos dentro do território de México e América Latina" - em outras palavras, estaria autorizada a fazer seus próprios carros e vendê-los com a marca Lamborghini. Essa permissão faz dele um caso totalmente diferente das empresas que foram processadas por fazer réplicas (não autorizadas) dos superesportivos no Brasil.