Por Dyovana Koiwaski Um portal de madeira identifica a Estrada Jacu-açu, às margens da SC-108, entre Guaramirim e Massaranduba. Quem passa pela estrutura de aparência rústica não imagina a variedade de atrações turísticas existentes na localidade. São mais de 40 empreendimentos que resultam no fluxo de 10 mil pessoas por mês, segundo a Prefeitura. A oferta começa pelas atrações históricas, com destaque para as igrejas e casas enxaimel, passa pelo Clube Aeromodelismo, pesque-pague e parque aquático. Em alguns pontos, também é possível sentir no ar o cheiro dos pães e bolachas caseiras no forno, dos queijos e das conservas em produção que compõem uma refeição típica da zona rural. A Estrada Jacu-açu é considerada o ponto com maior potencial turístico de Guaramirim, segundo o diretor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Turismo, Rodrigo Ademir da Silva. Neste ano, a Prefeitura iniciou um projeto para desenvolver e estimular a atividade na localidade, por meio da divulgação dos serviços e melhorias na infraestrutura. Entre as propostas, está a pavimentação de três quilômetros da estrada, onde seriam aplicados cerca de R$ 4 milhões. De acordo com o prefeito Luís Chiodini, o projeto foi encaminhado ao Ministério do Turismo com um parecer histórico do local e perspectivas de desenvolvimento. “O asfalto é necessário para motivar a atividade industrial, o comércio e o lazer. A via já registra um grande trafego de veículos e também contempla um antigo pedido dos moradores”, observa Chiodini. O projeto está cadastrado no governo federal e deve ser analisado ainda este ano. O trabalho de divulgação já vem sendo realizado pela Prefeitura, com a criação de uma página no Facebook e elaboração de folderes informativos para distribuição. “A Estrada Jacu-açu é tradicionalmente turística, com o parque aquático e os pesque-pague. Agora também faz parte da Rota da Tilápia, o que deve atrair ainda mais visitantes”, comenta o diretor. Entre os turistas mais frequentes nos estabelecimentos locais, além dos moradores da microrregião, estão os de Joinville, Barra Velha e até mesmo de outros Estados. “O ambiente tem característica familiar, com fabricação de produtos artesanais, indústria de móveis, cachoeiras, cultivo de rizicultura e forte cena religiosa dos católicos e luteranos”, relata Da Silva. Pavimentação vai contribuir para os negócios A localidade Jacu-açu vem crescendo e ampliando a lista de estabelecimentos para lazer, culinária e práticas esportivas nos últimos anos. A maioria é apoiada no trabalho familiar, empregando diferentes gerações. Um dos locais mais conhecidos e tradicionais ao longo da estrada, o Parque Aquático Recanto dos Lagos emprega nove pessoas da mesma família, mais outras 15 durante a temporada, que vai de outubro a abril. Proprietário do estabelecimento junto de seus irmãos, Ivanildo Gieseler conta que o negócio começou como um pesque-pague e mudou de foco em 1994. “Nos dias de verão, chegamos a receber mil pessoas por dia. A maioria é de outros Estados e que está de férias pela região”, conta.
Infraestrutura vai melhorar o escoamento de produtos, destaca Fabiana Passold (E), e também atrair turistas, aponta Ivanildo Gieseler. (Foto: Eduardo Montecino)
Infraestrutura vai melhorar o escoamento de produtos, destaca Fabiana Passold (E), e também atrair turistas, aponta Ivanildo Gieseler. (Foto: Eduardo Montecino)
Há pelo menos 15 anos, Gieseler se recorda de participar das reuniões dos moradores e reivindicar a pavimentação da rua Patrício Dias, acesso principal da localidade. “É sobre o que os visitantes mais reclamam quando chegam aqui, por causa da lama e da poeira. As obras iriam nos ajudar muito”, observa o proprietário. A responsável pela Agroindústria de Palmáceas Wagner, Fabiana Pasold, aponta que além dos moradores que transitam diariamente pela rua e sofrem com a poeira dentro de casa, o transporte das conservas produzidas pela indústria também é prejudicado com as más condições do acesso. “Além do barro, existem muitos buracos no trajeto, o que deixa o trânsito mais lento e aumenta as chances da danificar nossos veículos”, avalia Fabiana. O transporte das conservas é feito duas vezes por semana. Os produtos são comercializados principalmente na região Norte de Santa Catarina, mas também já chegaram ao mercado de Lages, no Sul catarinense. A Palmáceas Wagner foi inaugurada em 2012 e trabalha com a produção de conservas de palmito de pupunha. Em 2015, a Prefeitura de Guaramirim chegou a protocolar junto ao Ministério do Turismo um projeto de pavimentação da rua Patrício Dias. O projeto foi inscrito no Programa de Infraestrutura Turística no valor de R$ 2,5 milhões para trecho de dois quilômetros, mas o município não foi contemplado.