Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país vive o menor índice de inflação desde 1998 – quando somou 1,65%: a estimativa do mercado financeiro é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano abaixo dos 3% estabelecido no Sistema Brasileiro de Metas. Mas esta não é a percepção dos consumidores, que sentem no bolso a perda do poder aquisitivo. As compras estão mais caras – tanto as cotidianas quanto as de fim de ano – e o dinheiro está cada vez mais curto. “Está tudo ficando absurdamente caro, aumentando tudo, cada vez mais difícil economizar”, afirma a metalúrgica Maria Peire Engel, 37 anos.  O marido, o mecânico Idilmar Engel, 43 anos, adiciona que cada dia tem algo com preço diferente – e que os gastos pesquisando os melhores preços muitas vezes superam a economia. “A gente gasta mais com a gasolina do que economiza”, emenda. A impressão de Engel está correta, ao longo do ano o preço médio do combustível aumentou 6% em Jaraguá do Sul – foi de R$ 3,66 em janeiro para 3,88 em dezembro, conforme dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Por conta da inflação, os planos de fim de ano tiveram que mudar na casa da costureira Laide Siewes, 41 anos, que se diz desanimada com o dinheiro “que parece que não vale nada”. O décimo terceiro mal bastou para comprar os presentes e a antecipação das contas a pagar em janeiro a obrigaram a dispensar uma viagem ao Paraná com a mãe, a aposentada Elly Siewes, 82 anos. “Minha mãe vai viajar sozinha. Ela queria comprar uma saia para a viagem e vai ter que ver se acha uma por lá, porque senão não tem como pagar”, diz. A professora aposentada Maria Regina Polito, 65 anos, destaca que cada viagem ao mercado tem rendido menos.  “As pessoas estão com um poder de compra cada vez menor, eu acho até que a qualidade dos produtos que são ofertados está diminuindo com isso”, afirma, notando que em seu ver, a avaliação do IBGE não procede. Segundo o empresário Diego Freiberger, a inflação é um “imposto disfarçado”. “Ela mina o poder de compra de todos, do produtor ao consumidor, e no fim isso vai sendo repassado em cadeia”, explica. De acordo com o empresário, o país vive uma lenta recuperação da economia, mas até o momento a melhora foi pouca. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação foi menos sentida pelas camadas na faixa de renda mais baixa da população, por conta da safra elevada. Entre os mais pobres, segundo o instituto, a inflação acumulada no ano foi de 1,8% – contra 3,2% entre as faixas mais elevadas. Isso se deveria a variação menor de preços nos produtos da cesta básica e em outros bens alimentícios. Qual sua percepção sobre o peso da inflação este ano?
“As pessoas estão com um poder de compra cada vez menor, eu acho até que a qualidade dos produtos que são ofertados está diminuindo com isso”, relata a aposentada, Maria Regina Polito.
 
“Está tudo ficando absurdamente caro, aumentando tudo, cada vez mais difícil economizar”, disse Maria Peire Engel, metalúrgica.
“A gente acaba tendo que ir todo dia no mercado para aproveitar as promoções, se controlando porque se não tu se perde, o preço de tudo está maior'', disse Laide Siewes, costureira.
... E o salário mínimo sobe pouco O Salário Mínimo para 2018 deve ter crescimento de apenas 2,99%, subindo dos atuais R$ 937 para R$ 965. O valor foi aprovado nesta quarta-feira pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e deve seguir para análise do plenário e depois para aprovação do Presidente Michel Temer. Este é o terceiro valor previsto para 2018, calculado com base na inflação do ano anterior – no caso, de 2017 – e no crescimento do PIB dois anos antes. Na primeira previsão, o valor seria de R$ 979. Depois, em agosto, caiu para R$ 969. Ao fim, foi aprovado em R$ 965, 14 a menos do que na primeira previsão. Assim como a inflação, a realidade percebida pela população e o exposto pelo governo parecem discordar. “Isso é um absurdo, uma vergonha, não dá nem o aumento da gasolina”, diz Laide, ressaltando que, na prática, o salário parece ter diminuído. Como a mãe é aposentada pelo INSS, o aumento de apenas R$ 28 no valor base do cálculo deve ser sentido com força. Para os Engel, a previsão é frustrante. A combinação dos preços em escalada com o aumento reduzido e as parcelas a pagar promete um ano complicado. A frustração com o novo salário mínimo é sentida também por Polito. “Imagine aquele aposentado que depende de sua aposentadoria para comprar um remédio, como fica?”, diz. *Reportagem de Pedro Henrique Leal