Combinando a tecnologia da informação com conceitos de automação industrial e a chamada "internet das coisas" para aumentar não apenas a produtividade, mas os meios da indústria para atender as necessidades pessoais do cliente, a chamada "indústria 4.0" é vista por especialistas em tecnologia como a "quarta revolução industrial".

Nesta quinta-feira, o tópico será foco da Reunião do Núcleo de Inovação da Fiesc e do Instituto Evaldo Lodi (IEL), com palestra do doutor André Pierre Mattei, diretor do Instituto de Inovação do Senai para Sistemas Embarcados.

Engenheiro eletrônico, mestre em física e doutor em ciências da computação, e coronel da reserva da Aeronáutica, Mattei explica que a palestra é resultado de uma série de medidas de inovação para alavancar a produtividade da indústria nacional, que resultou na criação de 25 institutos de inovação - três deles em Santa Catarina, em Joinville, Blumenau e Florianópolis.

"Nossa produtividade está estagnada e até caindo, estava faltando algum elemento para ligar o conhecimento de alto nível que era gerado nas escolas e as indústrias", explica.

Essa rede de inovação é parte da tópico que será abordado, antes de entrar no foco da indústria 4.0, conceito de produção industrial que foi proposto em 2011 durante uma feira do setor em Hannover, Alemanha.

Foto Divulgação

O conceito trata da conectividade de máquinas e sistemas fabris, de modo que se crie redes inteligentes, com tomada de decisões descentralizadas e capacidade para, de forma autônoma, ajustar e modificar a programação de produção, agendar manutenção, prever falhas e criar rastreabilidade de produtos.

O vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer,  ressalta que o evento discutirá "como preparar, pensar e agir neste novo modelo de manufatura avançada, preparar equipes e plantas industriais com o objetivo de aumentar a competitividade e produtividade das nossas empresas", frisando a importância do modelo.

Bayer destaca também que o tópico estará em pauta na Semana da Indústria, no dia 22, e na etapa Jaraguá do Circuito Santa Catarina de Fomento a Inovação, no dia 29.

Adaptação é prioridade

Se adaptar a esta revolução tecnológica tem sido uma prioridade para o Senai: em março deste ano, foi lançada a plataforma Senai 4.0, oferecendo uma linha de soluções, orientações e capacitações para a adequação de empresas ao novo padrão da indústria - entre eles, um conjunto de 16 cursos e um formulário de avaliação de maturidade para indústria 4.0, a partir do qual o Senai elaborará um plano de ação específico para as necessidades de cada empresa.

"Em um primeiro momento, trabalhamos a visibilidade dos processos, para esclarecer onde estão problemas, depois trabalhamos soluções e medidas para eficiência, para em um terceiro momento futuro implementarmos maneiras para que as máquinas conversem entre si e automatizem o processo", explica Mattei, destacando que o Senai financia essas inovações, pagando 50% do projeto a fundo perdido.

Essa readequação da indústria também tem sido uma prioridade para o governo federal , que lançou uma linha de R$ 8,6 bilhões em programas de crédito para adaptações para o padrão 4.0.

No entanto, esta adequação segue em passos lentos: segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 800 empresas, apenas 1,6% delas já conta com programas de indústria inteligente.

Ao mesmo tempo, o país sofre com deficiências na área de infraestrutura de telecomunicações - essencial para a conectividade permanente exigida pela indústria 4.0, mas Mattei garante que o país já conta com todo o essencial para começar a implementar essas medidas.

"A infraestrutura é suficiente, a tecnologia é customizada para as necessidades de cada empresa e inclusive estamos na vanguarda a nível mundial em termos de pesquisa e inovação", explica.

Além do Senai, o tópico também é pauta para a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs).

"A Acijs está atenta ao tema e já vem discutindo em vários momentos, certamente voltando à abordagem, pois entende que os efeitos dessa nova forma de industrialização afetam a todos os empreendedores", nota o presidente da associação, Anselmo Ramos, destacando que trata-se de um movimento sem retorno, onde todos devem estar atentos e conectados.

Serviço

O que: Palestra “Pensar e agir Indústria 4.0”
Quando: Nesta quinta-feira (17), às 16 horas
Onde: Bloco F da Faculdade de Tecnologia do Senai de Jaraguá do Sul - rua Isidoro Pedri, 263, Rio Molha
Quando: Gratuito e aberto a empreendedores, profissionais e demais interessados