Jaraguá do Sul deve receber uma nova usina hidrelétrica em 2019. Discutida desde 2011, com relatório de impacto ambiental entregue em 2015 e licença de instalação aprovada em 2017, a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Itapocuzinho IIa deve ser entregue em agosto de 2019, com capacidade de gerar energia para 18 mil casas.

A usina está sendo instalada no Rio Itapocuzinho, afluente do rio Itapocu, na divisa entre os municípios de Jaraguá do Sul e Joinville.

Com potência instalada de 11,70 Megawatt (MW), a PCH localizada no Rio Manso deverá trabalhar com a geração média de 6,62 MW.

A usina é uma dentre três projetos de hidroelétricas com aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) na região, e foi orçada em R$ 90 milhões em valores do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), aprovados em junho deste ano pelo Ministério de Minas e Energia.

Sob responsabilidade da empresa blumenauense Ribeirão Manso Energética, o impacto do empreendimento para o ambiente deve ser mínimo, segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado ao Instituto do Meio Ambiente (IMA), em 2015.

Segundo Sérgio Moisés, um dos sócios da Ribeirão Manso Energética, a energia média gerada pela PCH Itapocuzinho IIa será suficiente para abastecer precisamente 18.086 unidades residenciais.

Moisés esclarece que grande parte da obra é subterrânea, aproveitando a correnteza já existente, o que implica em um impacto reduzido para a região.

"Será gerado apenas um pequeno laguinho, menor do que a média para represas deste tipo", explica. A área alagada é de 1,09 hectare, com uma extensão de 73,7 metros.

Ele destaca que o empreendimento terá grandes retornos no longo prazo. "A PCH significa energia limpa e barata para hoje e amanhã. Com um tempo médio de vida que pode chegar a 100 anos, os empreendimentos hidrelétricos são investimentos de longo prazo, capazes de beneficiar várias gerações", explica.

Região importa eletricidade

Além da Itapocuzinho IIa, estão registradas junto ao IMA para a conclusão outros dois empreendimentos de energia hidroelétrica para a região norte de Santa Catarina: a Central Geradora Hidrelétrica (CGH) Itapocuzinho, com capacidade para 2,9 MW, em Guaramirim, e a PCH Itapocuzinho III, com capacidade para 5,8 MW, localizada em Joinville.

Além disso, a Celesc conta com quatro projetos de pequeno porte para conexão e outras três usinas que atendem demandas próprias, as chamadas Autogeradoras.

Segundo o gerente da agência Regional da Celesc em Jaraguá do Sul, Wagner Felipe Vogel, como grande parte do país, a região tem um perfil de importação de energia elétrica.

A única usina em operação no Vale do Itapocu, a PCH Bracinho, em Schroeder, gera em média 6 milhões de KW/h por mês - em junho deste ano, a região consumiu 386,7 milhões de KW/h.

Vogel esclarece que o Brasil possui o SIN (Sistema interligado Nacional), o que interliga as redes de transmissão e distribuição conectando a região com grandes centros geradores. "Assim somos atendidos de energia mesmo sem gerar no local, pois possuímos grandes centros geradores em usinas como Itaipu", completa.

Vogel destaca que,  além das novas usinas em andamento, a Celesc tem encaminhados projetos para subestações em Schroeder e Guaramirim, atendendo pedidos de entidades locais.

"Estes projetos estão contemplados no Plano Quinquenal da Celesc. A solicitação dos municípios é de antecipar estas obras, porém salienta-se que a antecipação delas é possível desde que exista demanda energética para tal", explica.

A subestação de Schroeder está prevista para 2022, bem como a subestação de Guaramirim 2. Além destes projetos, a estatal prevê ampliação nas subestações Jaraguá do Sul.

Atualmente, a região não sofre com risco de desabastecimento, mas a dependência de energia de fora exige investimentos maiores com linhas de transmissão e com subestações, para garantir a qualidade da transmissão - algumas partes da cidade já estão sujeitas à flutuações energéticas.

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