O ministério de Minas e Energia (MME) divulgou na última sexta-feira (27) que o Brasil tem estoque de óleo diesel S10 equivalente a 38 dias de importação. “Se as importações desse combustível fossem cessadas hoje, os estoques, em conjunto com a produção nacional, seriam suficientes para suprir o país por 38 dias”, diz a nota da pasta.

O volume representa aumento de 26,7% desde o último monitoramento do ministério, que antes projetava 30 dias de autonomia. De acordo com o MME, o combustível possui papel de destaque na matriz brasileira de transporte e nível de dependência externa da ordem de 30%.

Segundo o presidente da Agricopel Comércio de Derivados de Petróleo Ltda, Paulo Chiodini, o cenário aponta para uma provável alta expressiva nos preços, conforme a importação se torna cada vez mais cara, especialmente para os postos de bandeira branca.

Ele não vê, no entanto, risco atual de desabastecimento. "É mais provável que se aumente a importação, mesmo que mais cara com as dificuldades logísticas e o preço mais elevado com a guerra na Ucrânia, do que deixar o mercado sem o combustível", afirma. A região, avalia ele, não corre risco de desabastecimento, embora deva se preparar para maiores despesas.

Segundo ele, as grandes distribuidoras tem atualmente praticado uma média de preços entre o preço nacional e o importado, combinando os preços do nacional e do importado. Mas a defasagem de preços entre o produto local, insuficiente para atender as demandas internas, e o importado tem se acentuado cada vez mais.

Os postos que devem ser mais afetados são os que não estão associados às grandes bandeiras, como pequenas redes de postos do interior, com mais dificuldade para acessar ao produto importado. "Mas na minha opinião pessoal, não há risco de desabastecimento, pois entre importar mais caro ou ficar sem todo mundo vai importar mais caro", diz.

Nesta sexta-feira, o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, enviou um ofício à Agência Nacional do Petróleo (ANP) alertando sobre o “elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022”. A decisão de comunicar oficialmente o governo foi tomada em reunião do Conselho de Administração da estatal na última terça-feira (25), depois de um longo debate sobre o tema.

“Destaca-se que os fatos elencados pela Petrobras em sua carta, como a redução da oferta e dos estoques mundiais de óleo diesel, em função da conjuntura energética mundial, e o aumento da demanda pelo produto, no segundo semestre do ano, são fatos amplamente conhecidos e monitorados”, informa o MME.