Por Kamila Schneider |Foto Eduardo Montecino/Arquivo OCP Em uma loja de sapatos localizada no calçadão da Marechal, no Centro de Jaraguá do Sul, uma promoção em especial chama a atenção dos consumidores que passam pela região: na tentativa de atrair novos clientes, o estabelecimento está oferecendo descontos de até 30% no pagamento à vista, um negócio e tanto para quem deseja atualizar o guarda-roupa sem comprometer o orçamento. Tamanha vantagem não é a toa – pesquisas indicam que o consumidor brasileiro está cada vez mais disposto a pagar à vista para garantir um preço mais atrativo. Esta semana, uma lei aprovada pelo governo federal promete estimular ainda mais este tipo de oferta. Isso porque a partir de agora é permitida por lei a diferenciação de preços para pagamento à vista e no crédito, prática que, apesar de já existir informalmente, era proibida. A mudança foi proposta pelo governo em dezembro do ano passado e já estava em vigor por meio de uma medida provisória, mas a expectativa é de que a aprovação final do projeto ofereça vantagens, tanto para os varejistas, quanto para os consumidores. De acordo com a gerente da loja de sapatos citada no início da reportagem, Eduarda Hilbert de Quadros, o pagamento à vista tem conquistado cada vez mais adeptos em Jaraguá do Sul e os descontos são muitas vezes determinantes na hora de fechar a compra. “O consumidor está segurando muito os gastos e procurando com cuidado as melhores ofertas. Às vezes alguns poucos reais já fazem a diferença na hora de concretizar ou não a venda e na atual situação precisamos tornar a compra mais vantajosa”, diz a gerente.
Segundo a gerente Eduarda Hilbert de Quadros, pagamento à vista é cada vez mais visado | Foto Eduardo Montecino
Segundo a gerente de loja, Eduarda Hilbert de Quadros, pagamento à vista é cada vez mais visado | Foto Eduardo Montecino
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert, a nova lei incentiva a concorrência nos preços, além de estimular a diminuição da inadimplência. “Ao invés de pagar uma taxa do cartão, o lojista pode aplicar este percentual em forma de desconto, tornando-se mais competitivo”, avalia Seifert. Atualmente, o varejo paga taxas de até 5% por cada operação realizada no crédito. “Qualquer redução no custo mensal é vantagem para o consumidor, então se ele tiver condições de pagar à vista com certeza ele vai preferir. Isso pode ser sentido em Jaraguá do Sul, cada vez mais pessoas evitam endividamento de longo prazo. É claro que isso também depende muito do tipo de desconto oferecido, se a diferença for muito pequena o consumidor pode preferir diluir aquele pagamento em vários meses”, analisa o presidente da CDL. De acordo com uma pesquisa feita pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 77% dos varejistas consideram a proposta benéfica e acreditam que a medida pode ajudar a diminuir os custos e aumentar o recebimento imediato do valor da venda, reduzindo as perdas com inadimplência. Desde que a medida provisória entrou em vigor no ano passado, 31% dos empresários notaram aumento nos pagamentos à vista, sendo que 17% tiveram incremento nas vendas em dinheiro. A pesquisa ouviu 800 empresas dos ramos de comércio e serviços. Nova lei deve estimular 76% dos consumidores a pedirem descontos A pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL também mostra que 76% dos consumidores se sentem mais estimulados a pedir descontos nos pagamentos à vista em virtude da nova lei. O famoso hábito de pechinchar, aliás, é bastante comum entre os brasileiros: conforme a pesquisa, sete em cada dez (74%) consumidores admitem o costume de pedir descontos ao realizar compras. A empresária Gildete Anderle da Silva faz parte do grupo de pessoas que aprecia um bom desconto: acostumada a pagar a maior parte das compras à vista, ela só utiliza o cartão quando é estritamente necessário. “Em geral o comércio de Jaraguá do Sul sempre oferece boas opções para pagamento à vista. Eu levo isso muito em conta na hora de comprar e se der para negociar um pouco mais, melhor ainda”, comenta a empresária. Desde o ano passado, o número de pessoas que utilizam o cartão de crédito caiu 9% no Brasil, passando de 70% para 61% dos consumidores. A gerente de uma relojoaria do calçadão Karla Zimmermann conta que o consumidor jaraguaense não tem medo de correr atrás da melhor oferta. “Até mesmo no parcelado alguns clientes pedem desconto”, conta ela. “Fato é que se o consumidor quer, nós negociamos, avaliamos com carinho e procuramos buscar um meio termo, dentro do possível. Para nós o importante é vender, especialmente porque o mercado ainda está sofrendo os reflexos da crise”, diz a gerente. Segundo a pesquisa do SPC Brasil e da CNDL, para 38% dos consumidores foi possível notar um incremento no volume de descontos ofertados para pagamento à vista, na comparação com o ano passado. Mas o consumidor precisa ficar atento: agora, com a nova lei, os comerciantes que optarem pela prática precisarão informar em local visível sua política de descontos.