A Food and Drug Administration (FDA, órgão equivalente à Anvisa nos EUA) anunciou nesta quinta-feira (29) a proibição da fabricação e venda de cigarros mentolados no país, citando seu efeito desproporcional na saúde dos afro-americanos. A decisão enfureceu as empresas de tabaco, mas agradou os ativistas antitabagismo e defensores da saúde pública. As informações são do jornal O Globo.

Cerca de 35% do volume das vendas de cigarros nos EUA são de mentol, de acordo com uma estimativa de Adam Spielman, analista do Citigroup Inc.

Em seu anúncio nesta quinta-feira, o FDA disse que trabalha para proibir o mentol como sabor de cigarro no próximo ano e também planeja banir todos os sabores, incluindo o mentol, nos charutos.

“Banir mentol — o último sabor permitido — nos cigarros e banir todos os sabores nos charutos ajudará a salvar vidas, particularmente entre aqueles desproporcionalmente afetados por esses produtos mortais”, disse a comissária do FDA Janet Woodcock, no comunicado.

"Com essas ações, o FDA ajudará a reduzir significativamente a iniciação de jovens (no hábito do tabagismo), aumentar as chances de cessação do tabagismo entre os fumantes atuais e abordar as disparidades de saúde vividas por comunidades de cor, populações de baixa renda e indivíduos LGBTQ +, todos os quais são muito mais propensos a usar esses produtos de tabaco", completa.

Segundo algumas estimativas, cerca de 85% dos fumantes negros nos Estados Unidos preferem cigarros com mentol, em comparação com apenas 29% dos fumantes brancos.

A mudança ocorre depois de mais de uma década de inatividade. O Congresso recomendou pela primeira vez em 2009 que a agência decidisse o que fazer com o aroma de mentol nos cigarros, que lhes dá um sabor e acalma a garganta, mas pode tornar o fumo mais viciante, disse o FDA.

O que dizem os fabricantes?

O Altria Group Inc. dona da marca Marlboro, que estava no meio de sua teleconferência de lucros trimestrais quando a notícia foi anunciada, afirmou que a decisãa está repleta de "consequências indesejadas". O CEO Billy Gifford disse que o efeito sobre a indústria não está claro ainda, mas ele estava cético de que a proibição do mentol teria o efeito desejado na saúde pública.

Segundo a empresa, se não houver alternativas satisfatórias suficientes para os fumantes mudarem, eles continuarão usando cigarros normais ou mudarão para produtos do mercado clandestino.

“Uma abordagem muito melhor é apoiar o estabelecimento de um mercado de alternativas autorizadas pela FDA que sejam atraentes para fumantes adultos”, disse a empresa em um comunicado. Ele também disse que as taxas de fumantes jovens, incluindo cigarros mentolados, estão em baixas históricas.

A Brands Plc, da marca de cigarros Kool, classificou a decisão como "decepcionante, mas não inesperada". A empresa disse acreditar que o processo de regulamentação "revelará que não há evidências científicas claras para apoiar à proibição nacional de mentol e sabores".

A British American Tobacco Plc, dona da Reynolds American Inc., afirmou em um comunicado que a evidência científica "não mostra uma diferença nos riscos à saúde entre um cigarro mentolado e não mentolado, nem sustenta que os cigarros mentolados afetam adversamente a iniciação, a dependência ou cessação."