O preço do petróleo chegou a encostar em US$ 140 nesta segunda-feira (7) nos mercados internacionais, depois que a Casa Branca afirmou que estava discutindo com outros países uma proibição da importação de petróleo russo.

O preço do barril do tipo Brent, referência internacional, saltou 18% e chegou a ultrapassar US$ 139 nos primeiros negócios, atingindo seu nível mais alto desde 2008, muito perto do recorde absoluto de US$ 147,50 de julho de 2008.

Os preços se acalmaram, levemente, durante as primeiras horas do pregão: por volta das 9h40, estavam em US$ 123, com alta diária de 6%.

Para o consumidor, comum, fora dos investimentos do setor petroleiro, a primeira consequência é clara: os combustíveis devem subir - o problema é quanto.

E o aumento do preço deve levar a uma reação em cadeia: como o Brasil tem uma malha logística fortemente dependente do diesel, os preços de outros produtos também devem subir.

O presidente da Agricopel, Paulo Chiodini, aponta que a Petrobras tem represado os preços no Brasil, mas como ela não é capaz de suprir toda a demanda nacional por refinados de petróleo, as distribuídoras tem tido que comprar gasolina e diesel de fora - e isso tem levado a aumentos nos preços para o consumidor, embora por ainda não no mesmo ritmo que no mercado internacional.

É difícil especular até onde vai o preço nas bombas, mas segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), não é impossível que, ao menos em algumas cidades, os preços cheguem à temida marca dos R$ 10.

Na semana passada, a defasagem entre os preços cobrados pela Petrobras e os das principais bolsas de negociação do mundo chegava a 24% para a gasolina e 27% para o óleo diesel, segundo cálculo do consultor em Gerenciamento de Risco da consultoria Stonex, Pedro Shinzato, para a CNN.

Desde que a informação saiu, no entanto, os preços do Brent subiram mais 23% - ou seja, a defasagem cresceu. Um calculo rápido aponta para uma defasagem de 29,52% na gasolina e 33,21% no diesel - levando apenas em conta a diferença no Brent.

Se a defasagem fosse aplicada em sua totalidade no preço da gasolina no preço médio de R$ 6,373 da gasolina comum em Joinville, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), isso levaria a um preço de R$ 8,2543.

Com esse cenário, a tendência segue em alta, embora o arrefecimento do câmbio ajude a manter os preços com alta menos expressiva, apesar de a diferença entre o diesel importado e o nacional, por exemplo, já chegue a R$ 1,00 de diferença o litro para as distribuidoras.