Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Fiesc prevê mais de 40 mil demissões com nova jornada em SC

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasil

Por: Gabriel JR

25/02/2026 - 11:02 - Atualizada em: 25/02/2026 - 11:30

A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, pode resultar na extinção de 41,4 mil postos de trabalho em Santa Catarina nos próximos dois anos. A estimativa é da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), que apresentou o estudo à bancada catarinense na noite de terça-feira (24).

Segundo a entidade, apenas a indústria responderia pela perda de 19,1 mil vagas, reflexo de um aumento de 9,7% nos custos do trabalho. Para a Fiesc, a mudança teria impacto direto na competitividade do setor produtivo catarinense, especialmente em segmentos com maior intensidade de mão de obra.

O presidente da Federação, Gilberto Seleme, afirma que a medida pode comprometer a posição da indústria nos mercados nacional e internacional. “A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, declarou. Ele acrescentou que a discussão exige cautela diante das possíveis consequências econômicas.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Entre os segmentos mais afetados estariam os setores de alimentos e madeira, grandes empregadores e com forte presença nas exportações. De acordo com Seleme, essas áreas enfrentam concorrência acirrada no exterior e possuem margem limitada para absorver aumentos de custos decorrentes da redução da jornada sem ajuste salarial.

Impacto nas exportações

O levantamento projeta retração de 1,07% nas exportações catarinenses. Os principais recuos seriam registrados nas vendas externas de carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%). Também estão previstas quedas de 2,6% nas exportações de madeira bruta e de 2,4% nos produtos de madeira.

O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, defendeu a ampliação do debate sobre flexibilização da jornada, mas criticou a forma como a proposta de extinguir a escala 6×1 tem sido conduzida. “Tenho conversado com a indústria, o comércio e o terceiro setor. É impossível a implementação e, neste momento, é uma proposta eleitoreira”, afirmou.

Reflexos no PIB e nos preços

O estudo aponta ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina pode registrar queda de 0,6% nos próximos dois anos. A indústria teria retração estimada em 1,15%, com a região Oeste concentrando as maiores perdas (-1,39%).

De acordo com o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, responsável pela coordenação do levantamento, o cenário reflete tanto a redução das vendas externas quanto a perda de competitividade no mercado interno, com possível aumento das importações. Ele destaca que a participação de produtos importados no mercado brasileiro cresceu de 13,4% em 2003 para 25% em 2023.

“Grande parte desses produtos vem de países com jornadas semanais superiores às do Brasil. Reduzir a jornada aqui sem ampliar a produtividade tende a resultar em menor produção e preços mais altos, ampliando ainda mais a perda de competitividade do produto brasileiro”, analisou.

Embora o aumento de custos possa se refletir em salários maiores e, consequentemente, estimular o consumo, a Federação avalia que esse efeito não compensaria as perdas. A estimativa é de alta média de preços de 2,64% em Santa Catarina. Na construção civil, setor intensivo em mão de obra, o reajuste poderia chegar a 4,26%. Alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%) também estariam entre os segmentos com maior impacto, afetando diretamente o orçamento das famílias.

Outro possível desdobramento, segundo a entidade, seria a substituição de trabalhadores por sistemas automatizados, especialmente na indústria, como forma de mitigar o aumento dos custos operacionais.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação