A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua congênere argentina, a União Industrial Argentina (UIA), assinaram, na segunda-feira (23), uma declaração conjunta que sugere aos respectivos governos ações prioritárias para avançar nas agendas econômica e comercial bilateral e regional.

O documento, firmado em nome do Conselho Empresarial Brasil-Argentina (Cembrar), foi entregue aos presidentes Lula e Fernández em encontro entre empresários e os chefes de Estado, na Casa Rosada, em Buenos Aires. O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, que participou da agenda empresarial brasileira, observa que o país vizinho é o terceiro principal parceiro comercial de Santa Catarina. No ano passado, os embarques catarinenses para a Argentina totalizaram US$ 820,1 milhões.

Em relação à criação de uma moeda única, tema discutido na segunda (23), Aguiar ressalta que, como a própria declaração emitida pelos governos argentino e brasileiro destaca, se inicia agora apenas a fase de estudos, sendo, portanto, um projeto de longo prazo, envolvendo também outros países da América do Sul.

“O exemplo da União Europeia, que levou décadas para consolidar o euro, mostra que moeda única é um tema complexo. Assim, as grandes diferenças macroeconômicas dos países do Mercosul são um desafio importante a considerar”, avalia Aguiar. “A discussão é antiga e resgata uma das primeiras propostas nascidas com o Tratado de Integração Mercosul. Brasil e Argentina são importantes parceiros comerciais e o objetivo anunciado é potencializar o comércio e a integração produtiva regional, aumentando a resiliência a choques internacionais. Mas é preciso conhecer os detalhes do projeto, ainda não disponíveis, para avaliar o efetivo impacto e saber se vai ser positivo ao comércio, sem prejuízo aos empreendedores, que efetivamente fazem acontecer os negócios”, completa.

Entre as ações prioritárias, defendidas pela indústrias, estão a necessidade de acelerar o processo de negociações externas com mercados estratégicos à indústria, como o avanço na conclusão formal do Acordo União Europeia-Mercosul; a eliminação de barreiras comerciais e o progresso na implementação de iniciativas de convergência e cooperação regulatória; a colaboração bilateral em direção a uma economia de baixo carbono; a promoção de investimentos para estimular o fornecimento de energia, infraestrutura e conectividade entre os dois países e na região; e a celebração do protocolo de facilitação do comércio e desburocratização.

A participação do Brasil e da Argentina nas exportações mundiais de bens industriais, no entanto, está aquém do potencial produtivo de ambos os países. Além disso, Brasil e Argentina têm perdido participação no comércio entre si para outros países. Em vista disso, é importante que os dois países intensifiquem a agenda bilateral para fortalecer suas relações econômicas.

Ações estratégicas devem promover crescimento sustentável dos países

Para reverter esse cenário, o Cembrar destacou, na declaração, a importância de um entendimento entre a Argentina e o Brasil para desenhar, “de forma imediata e pragmática”, uma estratégia conjunta de ações que revitalizem a agenda de integração bilateral e regional, com uma visão de inserção global e desenvolvimento da produção e da indústria. As ações, segundo o setor industrial, possibilitarão o crescimento econômico sustentável de ambos os países, com geração de emprego e mais qualidade de vida da população.

Além disso, CNI e UIA reafirmaram o compromisso com a democracia e ressaltaram a intenção, como representantes do setor produtivo industrial de ambas as economias, em colaborar ativamente no diálogo e na articulação institucional público-privada que permita avançar nas questões prioritárias listadas. Nesse sentido, sugerem a revitalização e o fortalecimento da Comissão de Produção e Comércio Brasil-Argentina – que atua na busca de soluções para a fluidez do comércio e dos investimentos entre ambos os países.

“Estamos em frente ao desafio de estabelecer, em um novo contexto global, um caminho de crescimento para ambos os países e de melhoria da competitividade e da integração das nossas economias. As ideias originais do Mercosul, de se beneficiar do mercado ampliado, ganhar escala e melhorar a qualidade de nossos produtos para aumentar a nossa participação nas exportações mundiais, especialmente de produtos industriais, permanecem válidas e devem ser o objetivo comum”, diz o documento.

Para as representantes do setor industrial, a pandemia de Covid-19 e o conflito entre Ucrânia e Rússia aceleraram as tendências anteriores de reorganização das cadeias globais de valor e aumentaram ainda mais a importância da integração regional – processo que abre novas oportunidades para expandir a participação do Brasil e da Argentina no comércio mundial.

Conforme o Observatório Fiesc, a região do Vale do Itapocu movimentou na balança comercial com a Argentina U$ 76.981,906 em exportações e U$ 18.354,117 nas importações.