O Circuito Fiesc encerrou sua programação na quinta-feira, dia 9, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (Cejas), consolidando um roteiro iniciado em abril pelas principais regiões produtivas de Santa Catarina. O projeto itinerante teve como objetivo aproximar empresários, fortalecer o ecossistema sindical e conectar os setores industriais às agendas que impactam diretamente a competitividade e o dia a dia do setor produtivo regional.
O vice-presidente Estratégico da Fiesc, Leonardo Zipf, e o vice-presidente regional, Célio Bayer, destacaram que as grandes realizações do estado são frutos do trabalho conjunto. “O projeto busca justamente essa aproximação, identificando as demandas para alinharmos as ações da federação ao que os empresários precisam”, apontou Zipf.
Inovação e tecnologia na prática
A cultura da inovação global foi abordada por Rodrigo Fumo, vice-presidente da WEG Motores Industriais, que compartilhou como a companhia transforma soluções internas em novos modelos de negócios. O investimento contínuo reflete-se nos resultados: mais de 51% do faturamento da WEG em 2025 veio de produtos lançados nos últimos cinco anos.
Por outro lado, o gerente de operações dos Institutos SENAI de Tecnologia, Fábio Fernando Karnopp, alertou para o abismo tecnológico local. Santa Catarina registra baixa densidade robótica — apenas 17 robôs para cada 10.000 trabalhadores — e produtividade abaixo da média nacional em setores como alimentos e equipamentos elétricos. “A transformação digital e o domínio de dados internos são vitais para a sobrevivência e a correta composição de custos das empresas, independentemente do porte”, destacou Karnopp.
Desafios regulatórios e relações de trabalho
Maria Antônia Amboni e Jomara Cadó Bessa, da área de Relações de Trabalho da Fiesc, detalharam o cenário da legislação trabalhista e os desafios da indústria diante de regulações que afetam o setor produtivo. Em Brasília, junto à CNI, a Fiesc atua para conter o avanço do fim impositivo da escala 6×1, defendendo um modelo de jornada flexível e negociada pós-período eleitoral. Estudos da federação apontam que o fim da escala geraria um aumento de 11,4% no custo do trabalho em Santa Catarina, com a perda de 40 mil empregos e recuo de 1,6% no PIB estadual.
Também foram discutidos os alertas sobre a inclusão de “riscos psicossociais” no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) da NR-1 e o monitoramento da proposta de regulamentação do “adicional de penosidade”. No campo jurídico, a FIESC celebrou uma vitória importante no STF, que barrou a tentativa do TST de flexibilizar o “comum acordo” em dissídios coletivos, mantendo a exigência constitucional de consentimento expresso de ambas as partes.
Fomento e internacionalização
Para impulsionar o crescimento e a modernização fabril, Júlio Longo, líder do Hub de Crédito da Fiesc, apresentou as oportunidades de fomento via BNDES e Finep, que somam R$ 14 bilhões no estado — sendo R$ 5,6 bilhões destinados à indústria, segmento que responde por até 28% do PIB catarinense. O Hub oferece consultoria e articulação institucional 100% gratuita com os principais bancos de desenvolvimento.
No encerramento, o gerente executivo de Relações Internacionais, Paulo Koerich, detalhou os serviços de diagnóstico para expansão global. A Fiesc atua ativamente na derrubada de barreiras comerciais e na defesa tarifária, monitorando os acordos de comércio com outras regiões do mercado global.