A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) fez uma análise sobre a economia em 2020 e as perspectivas 2021.

Apresentado pelos presidentes da entidade, Jonny Zulauf, que entrega a presidência agora no final do ano, e Sérgio Rodrigues Alves, que assume em janeiro, a entidade divulga uma série de informações sobre como se portou a economia neste ano desafiador.

O ano de 2020, antes de pandemia tinha uma expectativa de um ano próspero.

“Com a chegada do coronavírus tivemos uma quebra de paradigma: antes falávamos em como lucrar ou crescer mais, e com a pandemia, o pensamento é como sobreviver”, explica Leonardo Alonso Rodrigues, economista da Federação.

O economista criou uma explicação voltada para quatro efeitos e que detalha de forma clara o cenário atual. A realidade vivida neste momento é a do efeito anestesia tanto na área da economia, quanto na área da saúde, onde existe uma expectativa por soluções reais e ambiente de tensões.

“Enquanto na saúde vemos números de mortes e casos aumentarem, esperamos pela vacina e remédios eficazes, na economia, tínhamos previsões catastróficas, alta no desemprego e índices alarmantes, e vemos que as tendências não se confirmaram”.

Além disso, as medidas econômicas tomadas ajudaram a atenuar essas previsões. Com isso o desemprego não caiu aos patamares previstos. O varejo também teve uma queda muito grande, mas também teve uma recuperação muito acentuada.

“Isso se deve ao modelo de recuperação via estímulos artificiais. Como exemplo, a MP 936 que só em SC teve cerca de 800mil acordos que ajudaram a atenuar os efeitos negativos”.

O segundo efeito detalhado pelo economista Leonardo é o Efeito Estoque, onde boa parte da indústria e comércio aumentaram seus estoques a níveis recorde.

“No início as produções foram paradas e houve um aumento. Logo depois estes estoques começaram a ser liberados e hoje vemos inclusive escassez e alta de preços em alguns segmentos”. Dentro deste efeito, o economista também destacou as decisões just in time, ou seja, vivendo um dia de cada vez.

Já o terceiro efeito citado foi o de Incertezas, onde todas as expectativas foram afetadas.

“Perguntas como: para onde vai a economia? Até quando dura a pandemia? E como será a recuperação? Em V ou em W? ainda não têm respostas. Tudo que se falar é especulação, porque assim como o vírus, ainda não temos muitas respostas. Temos que pensar agora como será a economia em 2021 sem os efeitos da MP 936, por exemplo, que resguardou quase 10 milhões de empregos”.

Ele explicou que, para voltar ao nível de 2014, precisamos retomar de fato a economia.

Retrospectiva 2020

  • Fevereiro e março – chega o coronavírus no Brasil.
  • Abril a junho – primeiros choques econômicos e início das medidas econômicas.
  • Junho a novembro – recuperação econômica mais acelerada.
  • Novembro e Dezembro – Debate sobre continuidade das medidas econômicas e avanço das soluções via vacinas.

Efeito Ressaca

Para o ano que vem, o efeito previsto pela área de Economia e Estatística é o Efeito Ressaca. “Para 2021, a grande pergunta é será haverá o efeito ressaca. Teremos a continuidade das medidas?”.

Entre os fatos está que o Brasil é o país emergente que mais gastou com medidas econômicas na pandemia e que tem uma das maiores dívidas públicas. “Após acabar a pandemia temos que pensar como acordará o mundo após os efeitos anestésicos”, reflete o economista.

Entre os desafios estão endividamento elevado tanto do setor público quanto das empresas. “Muitas empresas tomaram crédito e agora os parcelamentos começam a vencer após a carência”. Além disso, a recuperação indefinida, a instabilidade política e a definição da vacina”.

E como toda a crise, esta também vai deixar oportunidades. Dentro da raiz do problema da crise do coronavírus, viu-se crescer a crise de saúde, que abriu portas para fornecedores e empresas da área.

Os novos padrões sanitários também fizeram surgir novos negócios e serviços. Oportunidades derivadas do novo momento, onde e o que o consumidor está/estava fazendo durante todo este período.

Dentro dos segmentos tradicionais, como o agronegócio, o setor de alimentos e construção civil (imobiliário e infraestrutura) cresceram no período da pandemia.

 

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