O Instituto Semeia, organização sem fins lucrativos que fomenta parcerias para que brasileiras e brasileiros tenham acesso a parques melhores, lançou na última quinta-feira (21) o estudo “Parques como vetores de desenvolvimento para o Brasil: Ecoturismo e potencial econômico do patrimônio natural brasileiro”.

A pesquisa inédita, realizada a partir de levantamentos e análises feitos em parceria com o Boston Consulting Group (BCG), confirma que, por meio do turismo, os parques naturais do Brasil têm um grande potencial ainda subaproveitado e podem gerar impactos consideráveis para a economia e o desenvolvimento do país. Com base em dados de visitação dos parques brasileiros e de experiências de sucesso em outros países, o estudo projeta que nossos parques poderiam passar a receber até 56 milhões de visitantes por ano, número quatro vezes maior que o total de 2019.

Para melhor entender os caminhos para transformar esse potencial em realidade, os principais desafios do setor foram mapeados e, então, sistematizou-se 12 alavancas para um melhor desenvolvimento do turismo de natureza no país. Articulação de visão comum, governança para implementação da agenda, fontes alternativas de receita, esforços ativos para a promoção dos destinos, certificação de melhores práticas, concessões e parcerias com o setor privado e oferta coordenada de recursos são algumas delas. Em comum, todas têm a necessidade de maior integração de políticas públicas orientadas à agenda.

“O objetivo do estudo é quantificar o reconhecido potencial do turismo de natureza no Brasil e apresentar um norte para articulações de políticas e soluções estruturantes que, necessariamente, envolvem toda uma cadeia relacionada ao turismo nos parques”, afirma o diretor-presidente do Instituto Semeia, Fernando Pieroni. “Para alcançar o sucesso, é necessário engajar os diversos atores, de forma transversal a muitos setores como turismo, cultura e meio ambiente”, complementa.

O potencial turístico dos recursos naturais brasileiros é internacionalmente reconhecido, mas sua contribuição para a economia ainda é pequena. Enquanto o Brasil ocupa a 2ª posição no mundo no Índice de Competitividade Turística – publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2019 –, no que diz respeito a seu patrimônio natural, a participação do turismo de natureza em parques no PIB nacional é de cerca de 0,13% – entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões –, e corresponde a 209 mil empregos gerados, aproximadamente.

O crescimento da taxa de visitação leva a uma ampliação nos gastos totais dos turistas na região dos parques, uma vez que se aumenta também a demanda por alimentação, hospedagem, passeios guiados e outros serviços turísticos. Os resultados podem representar 978 mil postos de trabalho vinculados à visitação de parques naturais e seus entornos, com um impacto total no Produto Interno Bruto do País é estimado em R$ 44 bilhões – ou 0,61% do PIB, em valores de 2019, – multiplicando em mais de quatro vezes a participação dos parques na economia.

“Essa taxa deve ser alcançada de forma sustentável e gradual, visando a conservação do meio ambiente. O aumento da visitação só faz sentido se acontecer de maneira ordenada, gerando benefícios às áreas e às populações locais”, ressalta o coordenador de projetos do Instituto Semeia, Rodrigo Góes.