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Especialistas explicam porque tem menos argentinos no litoral de SC

Foto: Divulgação/Setur-SC

Por: Ewaldo Willerding Neto

26/01/2026 - 10:01

O que era uma percepção de hoteleiros e comerciantes agora ganha o respaldo dos números: a participação de turistas argentinos no litoral catarinense registrou uma queda no início da temporada de 2026. Segundo a prévia da Pesquisa de Verão da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC), os visitantes do país vizinho representaram 19% do total de turistas na primeira quinzena de janeiro, contra 22% no mesmo período de 2025.

Segundo os pesquisadores, diversos fatores contribuíram para esse resultado. O Índice de Confiança do Consumidor Argentino fechou dezembro de 2025 com uma queda de 1,04%, sinalizando um comportamento mais cauteloso das famílias. Além disso, o endividamento doméstico na Argentina atingiu a marca de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, reduzindo o fôlego financeiro para viagens internacionais.

Hélio Dagnoni, presidente da Fecomércio SC, explica que o “gap” de preços que beneficiava o turista argentino diminuiu drasticamente. “Na temporada passada, o Brasil estava muito barato para eles. Havia uma diferença enorme entre os preços praticados aqui e na Argentina. Neste ano, essa distância diminuiu, o que ajuda a explicar essa redução na presença deles nas nossas praias”, avalia.

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Apesar da queda em relação ao ano passado, o patamar atual ainda é visto com otimismo quando comparado com 2024, quando os argentinos somavam apenas 10% dos visitantes em Santa Catarina. O cenário de agora sugere estabilização em um nível intermediário, longe do auge histórico, mas superior aos anos de crise aguda pós-pandemia de Covid-19.

Florianópolis perde fôlego

A capital catarinense, tradicional reduto dos portenhos, foi a principal impactada. Em Florianópolis, a participação argentina despencou de 39% para 24%. A expectativa inicial da prefeitura de Florianópolis era pela vinda de 2 milhões de visitantes da Argentina entre dezembro de 2025 e março deste ano, mas não há um acompanhamento do poder público que informe a quantidade de turistas até o momento.

De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, a contagem deverá ser feita ao final da temporada. Entretanto, o panorama de setores como a hotelaria é de uma baixa no número de hermanos. Luciano Pereira Oliveira, diretor-geral da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) e proprietário dos hotéis Costa Norte, afirma que os argentinos chegaram em menor número este ano.

“Desde a década de 1980 o turista argentino se mantém presente aqui em Florianópolis e ainda é o mais forte na nossa temporada, mas esse ano eles vieram em menor número, acredito porque o câmbio estava muito favorável para eles no ano passado. Eles estão com preço de compra 25% abaixo do que era o ano passado”, observou Oliveira.

Enquanto Florianópolis vê os números encolherem, outros destinos ganham relevância na rota dos estrangeiros. Municípios mais ao sul do estado registraram altas expressivas. Em Laguna, a presença de argentinos saltou de 7% para 20%, enquanto em Imbituba o índice subiu de 9% para 19%.

Para a secretária do Turismo de Santa Catarina, Catiane Seif, a queda da presença de argentinos na capital do estado não é um problema, e um sinal de que a estratégia do governo estadual de descentralizar e promover as diversas regiões está dando certo. “Embora Florianópolis tenha registrado uma variação, observamos um crescimento sólido em outras regiões, o que projeta um turismo muito mais equilibrado e distribuído por todo o nosso estado para os próximos anos”, comentou a secretária.

Mesmo com a queda na proporção de visitantes estrangeiros, os argentinos seguem sendo a espinha dorsal do turismo internacional no estado, representando 81% de todos os estrangeiros que cruzam a fronteira. O restante do grupo (19%) é composto por uruguaios, paraguaios, chilenos e uma parcela menor de europeus.

Brasileiros gastam menos

Um outro dado da pesquisa da Fecomércio SC diz respeito ao comportamento financeiro dos veranistas. O gasto médio por grupo de turistas teve uma leve retração de 2%, caindo de R$ 8.358 em 2025 para R$ 8.179 em 2026.

Contudo, essa queda é atribuída ao público brasileiro, que parece estar mais contido em seus orçamentos. Em contrapartida, o turista estrangeiro que decidiu manter a viagem ao Brasil está gastando mais. O gasto médio desse grupo subiu 4,6%, passando de R$ 11.532 para R$ 12.063.

“Isso prova que estamos atraindo um público qualificado, que injeta mais recursos na nossa economia e gera benefícios diretos para os catarinenses, superando as flutuações de volume de mercados específicos”, observou Seif.

Apesar da flutuação na origem dos turistas, a infraestrutura turística catarinense continua em expansão. Dados da Receita Federal, compilados pela plataforma “Sfera Inteligência para Negócios”, mostram que o número de empresas de Atividades Características do Turismo (ACT) cresceu 23% entre 2024 e 2025.

O estado encerrou o último ano com mais de 38,5 mil empresas ativas no setor. Em 2025, foram criadas 7.150 novas empresas voltadas ao turismo, das quais 665 focadas exclusivamente no segmento de alojamento. Esse aumento da oferta de leitos é mais visível em municípios menores, que registraram crescimento acima da média estadual: Jaguaruna (17%), Palhoça (15%), Itapema (13%) e Balneário Piçarras (11%).

* Informações da Gazeta do Povo.

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.