O Brasil passa por uma completa reestruturação do setor elétrico com reflexos para empresas e consumidores domésticos. Esta reformulação do sistema exige maior atenção principalmente dos grandes consumidores, que não podem ficar à mercê da capacidade de investimentos por parte do governo federal na geração e distribuição, mas também dos pequenos consumidores que podem conviver com novos reajustes nas tarifas. Uma alternativa para o setor pode ser o mercado livre de energia, com a comercialização por empresas especializadas. Para o economista Sandro Luiz de Souza, diretor da RB Energia, o segmento vem se expandindo e deve suprir o fornecimento de energia hoje comprometido. “O setor elétrico brasileiro já foi de vanguarda na década de 1990 e no começo dos anos 2000. Era um segmento muito ativo e promissor do mercado, mas as interferências políticas prejudicaram este modelo”, disse o executivo em palestra na plenária da Acijs e Apevi, na segunda-feira (14) no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (Cejas). O especialista abordou o impacto de medidas tomadas pelo governo federal, que trouxeram desajustes do setor elétrico nacional na palestra "A reconstrução do setor elétrico: de volta para a prancheta". Com experiência na área de gestão de tarifas, Sandro Luiz de Souza atuou durante 16 anos na Celesc e coordenou a estruturação do Programa de Consumo Inteligente de Energia da Associação Empresarial de Joinville (Acij). Na palestra e workshop, o especialista abordou os impactos de medidas pelo governo a partir de 2012 que, segundo ele, alteraram um modelo até então vigente nos últimos 20 anos no setor elétrico. "Com uma completa dicotomia entre o discurso e a prática, o governo promoveu a completa desorganização do setor elétrico. Com efeito, as principais consequências desta desordem foram as várias liminares, preços no mercado de curto prazo que não refletem a realidade, atrasos e desistências de projetos já leiloados, tarifas elevadas, má qualidade dos serviços, subsídios e isenções tributárias", disse. Na palestra, destacou que a energia continua sendo um dos mais importantes insumos no processo de produção, demonstrando dados sobre os princípios de reorganização do setor elétrico brasileiro propostos pelo Ministério de Minas e Energia. "Transformar a informação em conhecimento e apresentar cenários para o futuro, permitindo aos empresários e gestores um planejamento mais eficaz na contratação de energia elétrica", assinalou. “Com a criação da Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] se planejava construir uma matriz energética com base em fontes renováveis, entre outras inovações na geração e na distribuição. Isto não aconteceu porque o governo passou a usar o setor elétrico de forma política, desmontando o órgão regulador e enfraquecendo uma estrutura que poderia funcionar. Ao mesmo tempo, o Brasil viveu uma crise hídrica histórica que trouxe muitos problemas para o setor, somada à crise econômica que persiste. O resultado é que hoje o setor tem uma inadimplência de 90% dos geradores e as distribuidoras de energia enfrentam sérios problemas de caixa”, disse. Como reflexo da situação, o setor passou com custos elevados que agora são repassados ao consumidor na forma de reajuste tarifário e comprometem a competitividade do País. “Houve queda nos investimentos porque o setor sentiu os efeitos de medidas políticas oportunistas”, afirma Sandro Souza. Para ele, se não forem tomadas providências para a retomada de um modelo eficiente os consumidores continuarão sendo penalizados com custos mais elevados, uma vez que o País saiu de um momento em que o governo praticou a redução de tarifa de maneira equivocada, para uma condição em que não há capacidade de fornecimento da energia demandada. Dentre as mudanças que o setor necessita, aponta Sandro Souza, está a abertura do mercado para que se estabeleça maior competitividade, com uma melhor adequação da expansão do sistema e a possibilidade de investimentos no mercado de energia para a maior oferta do insumo, viabilizando com isso preços melhores a partir de 2018. Segundo ele, o Brasil tem hoje o terceiro maior potencial hídrico do planeta, mas por causa da má gestão hoje tem uma das energias mais caras de acordo com o índice Firjam. “O Brasil tem 97% do seu sistema interligado, o que poderia ser uma vantagem considerando a extensão do território nacional, mas acabamos superando a Índia como um dos custos mais caros, sendo que naquele país a geração de energia é feita com óleo diesel”, completou. *Com informações da assessoria de imprensa da Acijs