A construção de patrimônio ao longo da vida pode apresentar características distintas quando se observa a trajetória feminina. Fatores como maior longevidade, diferenças de renda e eventuais pausas profissionais tornam o planejamento financeiro ainda mais estratégico para garantir segurança no futuro.
No Brasil, as mulheres vivem, em média, mais do que os homens. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida feminina é de 79,9 anos, enquanto a masculina é de 73,3. Para Kethlyn Breis, especialista em investimentos da Warren, esse dado impacta diretamente o horizonte de planejamento. “Viver mais é uma conquista, mas também significa precisar de recursos por mais tempo. A organização da aposentadoria e dos investimentos de longo prazo precisa considerar essa realidade”, afirma.
Outro fator relevante é a renda ao longo da vida profissional. Dados do IBGE indicam que, em 2023, a diferença de rendimento médio entre homens e mulheres foi de 26,4%. Segundo Kethlyn, quando a renda média é menor, cada decisão financeira ganha maior relevância. “Constância nos aportes, disciplina e estratégia deixam de ser detalhes e passam a ser a base da construção patrimonial”, explica.
Além disso, a jornada profissional pode incluir momentos de transição ou interrupção. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que pausas na carreira podem gerar perdas salariais estimadas entre 4% e 8%, dependendo do período afastado e do contexto. “Essas fases fazem parte da vida, mas precisam ser previstas no planejamento. Ter reservas estruturadas e uma estratégia previdenciária bem definida ajuda a atravessar essas etapas sem comprometer objetivos maiores”, destaca a especialista.
Para a Warren, o planejamento financeiro deve acompanhar as diferentes fases da vida e considerar variáveis como longevidade, renda e trajetória profissional. “Não se trata de criar um modelo específico, mas de adaptar a estratégia à realidade de cada pessoa. Quando essas informações entram na equação, o planejamento se torna mais eficiente e sustentável”, conclui Kethlyn Breis.