A consolidação da equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem sido vista com bons olhos por empresários de Santa Catarina e da região.

O setor espera da próxima gestão do governo federal um esforço na pauta de reformas iniciada no governo Michel Temer (MDB) e a retomada do crescimento econômico, ainda lenta após dois anos consecutivos de queda em 2015 e 2016.

Nome já anunciado durante a campanha, a chefia da equipe econômica fica na mão do economista Paulo Guedes.

As 20 secretarias que estão nos ministérios da Fazenda, da Indústria e Comércio Exterior e do Planejamento vão virar seis secretarias especiais. Fazenda; planejamento; produção; comércio exterior e assuntos internacionais; desestatização; e Previdência e Receita Federal, todas dentro do "superministério" da economia.

Nesta quinta-feira (29), o economista Marcos Cintra foi confirmado à frente da Secretaria de Previdência e Receita, enquanto o economista Marcos Troyjo será responsável pela secretaria de Comércio Exterior.

"Os nomes apresentados em sua grande maioria estão identificados com as questões mais presentes nas discussões que a sociedade de maneira geral tem feito quanto à necessidade de reformas que o país precisa", diz Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio de Santa Catarina e ex-presidente do grupo Breithaupt.

Esta composição faz com que o próximo ano seja visto com bons olhos pelo empresário. "Há uma expectativa de confiança no sentido de que a partir de 2019 o Brasil inicie uma retomada do crescimento, de maneira a estimularmos a geração de empregos, com mais renda e efetivamente termos uma melhor justiça social", avalia.

Bruno Breithaupt destaca que momento é delicado e grandes investimentos podem ter que esperar | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, Anselmo Ramos, os nomes estão bem alinhados com a pauta liberal da qual o país precisa, em seu ver, para crescer e gerar oportunidades.

"São nomes identificados com uma linha de pensamento econômico mais liberal e isto faz com que as expectativas sejam positivas porque favorece um cenário futuro diferente para o Brasil em termos de uma gestão que faça a indução ao desenvolvimento", diz.

Viés progressista

Anselmo Ramos frisa que os indicadores de ações que o governo federal deseja implementar trazem neste primeiro momento confiança para o mercado na medida em que revela um viés progressista, que estabelece uma condição favorável a investimentos.

Paulo Chiodini, diretor executivo da rede de postos Mime, nota que o mercado já tem reagido à nova equipe econômica, com retomada de investimentos e a abertura de janelas de oportunidade para a economia.

"O mercado está se consolidando melhor, o país passou a retomar a estabilidade política com o resultado das eleições e devemos ter um ano inicial deste governo sem grandes surpresas", comenta.

O final de 2018 já tem demonstrado bases para sustentar o otimismo, segundo os empresários. De acordo com  Breithaupt, o setor de comércio e serviços chega a um fim de ano melhor, o Black Friday foi positivo.

"Embora ainda não tenhamos números consolidados é possível perceber um desempenho mais favorável, com crescimento nas vendas. Também há indicadores favoráveis na confiança do empresário e da população em geral, e isto pode estabelecer um ambiente mais favorável para o próximo ano", comenta o presidente da Fecomércio.

Chiodini destaca que o período pós eleições já veio marcado por boas expectativas e reações positivas do mercado, que foram ajustadas e estabilizadas ao fim da euforia com os resultados.

Momento não é fácil

O presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, destaca que é  importante levar em conta o momento vivido pelo país, recentemente saído de uma grave crise e com recursos limitados.

"Agora, é preciso entender que a situação é dramática e não se pode esperar grandes investimentos, principalmente em infraestrutura, no primeiro ano de governo. O que esperamos efetivamente é que sejam criadas as condições necessárias a termos maior grau de confiança e com ela capacidade de um desenvolvimento consistente", explica.

A expectativa, avalia o empresário, é que o primeiro ano do governo seja focado em levar para a sociedade serviços melhores e com mais eficiência na gestão pública.

Outro aspecto que deve ser levado em conta é competitividade, exigindo medidas para a melhor produtividade da indústria de forma que estes avanços possam se estender a outros segmentos como o comércio e serviços, "pois só com maios capacidade teremos uma elevação mais expressiva do PIB", nota.

Ramos ressalta que a relação do executivo com o legislativo vai ser essencial para a transição e a eficiência do governo, e que esta relação exige transparência.

"É importante que a sociedade tenha demonstração, de maneira clara, qual a relação entre a vontade do governo e qual a vontade do Legislativo no que diz respeito às reformas que todos entendemos serem necessárias para este novo ambiente", conta.

Este alinhamento deve ser determinante para a agilidade dos processos. "Se houver um alinhamento imediato de propósitos, pode ocorrer uma reação favorável no curto prazo, então precisamos saber qual será a velocidade nesta direção, se as mudanças surgirão já no primeiro trimestre ou se ficam mais para a frente", aponta o presidente da Acijs.

Porém, é necessário cautela.

"Há sinais claros de retoma da confiança, com movimentações que indicam possibilidades de investimentos importantes, as empresas já se programam para uma retomada de projetos, mas sem euforia demasiada. Esta cautela no otimismo faz sentido na medida em que ainda não está sendo possível medir como será a relação do Executivo com o Legislativo quanto às mudanças", completa Ramos.

Questão diplomática

O único ponto de contenção manifestado pelos empresários consultados é quanto à relação do presidente eleito com alguns dos parceiros comerciais do país.

Declarações recentes do presidente eleito e de sua equipe acirraram tensões com o Oriente Médio - devido a intenção de mover a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém - e com a China, principal comprador de commodities brasileiras, azedada após o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, afirmar em encontro com empresários nos EUA que a parceira comercial com o gigante asiático se devia apenas à ideologia dos governos anteriores.

O futuro ministro da economia, Paulo Guedes, também provocou preocupação no mercado externo do país ao afirmar ao final de outubro que o Mercosul não teria prioridade no governo do presidente eleito e que as relações comerciais com os vizinhos são resultado de alianças ideológicas.

Para Santa Catarina, a China é o destino de 16,6% das mercadorias exportadas, seguida de perto pelos EUA, com 15,2% do volume de exportações catarinenses. Os dois países se encontram uma tensão comercial devido à taxação de aço chinês pelos EUA.

Chiodini destaca que o governo precisa a lidar com parceiros externos. Foto: Eduardo Montecino

Chiodini defende que a equipe econômica e a equipe de relações exteriores do presidente eleito terão que trabalhar para aliviar estas tensões e evitar novos problemas.

"Eu tenho plena confiança de que a equipe econômica vai saber contornar estes problemas, mas o presidente precisa aprender a ser mais diplomático em nossas relações com parceiros", avalia.

De acordo com o empresário, o gabinete do presidente eleito precisa entender a importância destas parcerias comerciais e da manutenção de relações cordiais com nossos parceiros comerciais.

"Se estas tensões e provocações continuarem, negócios podem ser postos em risco. Mas temos uma equipe econômica competente e bem formada, que vai saber como evitar este problema", completa.

Cenário econômico em números

Cotação do Dólar

  1. Ao auge da crise no governo Dilma (janeiro/2016): R$ 4,09
  2. Após impeachment (setembro/2016): R$ 3,26
  3. Abertura do ano de 2018: R$ 3,21
  4. Pico do ano:  R$ 4,19 (13 de setembro)
  5. Imediatamente após as eleições: R$ 3,72
  6. Pregão de quinta-feira: R$ 3,85

Ibovespa

  • Ao auge da Crise no governo Dilma (janeiro/2016): 38.031 pontos
  • Após impeachment (setembro/2016): 59.616 pontos
  • Abertura do ano de 2018: 77.891 pontos
  • Pico do ano:  89.709,12  pontos (quinta-feira, dia 29 de novembro)
  • Imediatamente após as eleições: 83.793 pontos
  • Pregão de quinta-feira: 89.709,12 pontos

 

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