A sensação era de estar em um dos famosos bares da Avenida Paulista, nos quais as paredes ecoam histórias boêmias e as amizades afloram na companhia de boas bebidas e aperitivos. Apesar da ambientação semelhante, a localização era o Boteco do Bixiga, no Centro de Jaraguá do Sul. Proporcionar ao cliente essa experiência do inusitado, alicerçado em uma decoração rica de detalhes é uma das estratégias do empresário Juliano Verngrzen, proprietário dos estabelecimentos Madalena e Boteco do Bixiga. Aos 33 anos, ele se firma como peça decisiva para o setor gastronômico do município e fugiu das perspectivas negativas geradas pela instabilidade econômica ao inaugurar o bar tipicamente paulista num período pessimista para os novos negócios. “Parti da ideia de que nos três meses seguintes à abertura, os números ainda conseguem ser positivos. Como foi em junho, o meu plano era que no fim desse período já estivéssemos na temporada de calor, onde as pessoas costumam sair mais para se divertir”, explica Verngrzen. De acordo com o proprietário, a crise começou a refletir somente nos últimos meses no setor de gastronomia. “O segmento vinha crescendo bastante, em contrapartida com os demais. Mas hoje, já registramos queda de aproximadamente 30% nos lucros, principalmente no Madalena, que está instalado há mais tempo na cidade e possui um público fiel”, aponta. Para ele, o declínio ocorreu em cadeia, sendo consequência dos cortes na indústria e movimento abaixo da média no comércio. Além de espaços aconchegantes e personalizados, Verngrzen investe no marketing para conquistar os consumidores. Os dois restaurantes possuem uma agência responsável pela produção do material para mídias externas, redes sociais e propagandas nas rádios. Outro meio para movimentar o setor gastronômico no município é valorização das opções locais, sugere. “Devido grande parte da população ter condições financeiras favoráveis, as pessoas acabam indo para outras cidades, sendo que Jaraguá tem lugares ótimos”, frisa. Entre as dificuldades para o crescimento da área, o empresário cita a burocracia no processo de liberação dos alvarás e a resistência do munícipe em conhecer novos espaços. “O jaraguaense gosta de comer bem e se divertir, com bom atendimento, ambiente agradável e qualidade acima de tudo”, afirma Verngrzen. O maior movimento, segundo ele, é registrado entre quarta e domingo, quando o Boteco do Bixiga, por exemplo, alcança a lotação máxima de 250 pessoas. Apaixonado pelo trabalho, o proprietário projeta a expansão dos dois estabelecimentos. O Madalena, que está completando sete anos em 2016, deve abrir em breve uma franquia em outra cidade que está sendo escolhida. O mesmo acontece com o Bixiga, que mesmo recente, já conquistou a simpatia dos clientes e chamou a atenção de outros empresários no Estado.