Incubadora Jaraguatec foi essencial para a Artama | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Incubadora Jaraguatec foi essencial para a Artama | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Por muito tempo, a expansão da energia eólica no Brasil empacou em um problema peculiar, resultado da dependência nacional em partes importadas.

Os padrões de segurança e regulamentação vigentes no país eram mais exigentes do que aqueles aplicados pelos países que fabricavam os elevadores para torres eólicas.

A solução para os dois problemas surgiria através de uma parceira da Artama Metalmecânica, de Jaraguá do Sul, da WEG e do Jaraguatec, a incubadora tecnológica da Universidade Católica de Santa Catarina.

"Nós tínhamos esse problema com os padrões, que impediam o uso de partes importadas e da fabricação de peças adequadas ao Brasil por empresas estrangeiras, e começamos um projeto para nacionalizar essas peças dentro dos padrões", explica o engenheiro responsável pela Artama, Diego de Souza.

Os elevadores desenvolvidos pela empresa são os primeiros a atender os padrões vigentes na Europa e no Brasil simultaneamente, o que exigiu esforço e criatividade por parte da equipe.

Elevadores atendem padrões europeus e brasileiros | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Elevadores atendem padrões europeus e brasileiros | Foto Eduardo Montecino/OCP News

"Fizemos engenharia reversa em partes importadas para nacionalizar o equipamento e desenvolver algo que atendesse os padrões daqui, que não são só técnicos, mas legais", conta. Outros elevadores nacionais seguem apenas as normas brasileiras.

Os padrões foram o maior desafio para o desenvolvimento, obrigando a equipe a encontrar meios de contornar normas que muitas vezes eram contraditórias entre si e encontrar um meio-termo que satisfizesse tanto o que é exigido no Brasil quanto o que é exigido pelos países europeus.

"Por incrível que pareça, muitas vezes temos mais exigências de segurança do trabalho no Brasil do que na Europa em determinados aspectos de máquinas e equipamentos, e esse fator não era avaliado por grande parte das empresas do ramo", conta.

Esse problema acabava gerando passivos imensuráveis com paralisação de projetos em função de atuações do Ministério do Trabalho.

O mercado para este tipo de equipamento tende apenas a crescer com o incentivo a expansão de fontes renováveis de energia, como é o caso da eólica. O equipamento é instalado no início da construção da torre, e usa a própria estrutura como trilho para a tração.

Outro elevador em desenvolvimento usa tração por cabos. O produto foi criado após cinco anos de pesquisa e desenvolvimento - os últimos três em parceria com a Católica de SC.

Incubadora foi essencial

Souza ressalta a importância do Jaraguatec nesse processo: embora o perfil da Artama seja distinto da maioria dos projetos desenvolvidos na incubadora, por se tratar de uma empresa já consolidada, a incubadora foi essencial para viabilizar o projeto.

"Este tipo de parceria entre empresas e universidades é muito comum fora do país e estes ambientes propiciam oportunidades que não teríamos por si só", explica.

Diego de Souza é a mente brilhante por trás da Artama | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Diego de Souza é a mente brilhante por trás da Artama | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Como exemplo ele destaca o Navitas Science and Technology, o centro de desenvolvimento tecnológico da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, onde fez um curso de especialização em projetos de geradores.

Souza foi o primeiro profissional brasileiro selecionado em 10 anos do programa, patrocinado por duas das maiores empresas do setor (Vestas e Siemens Gamesa).

Ele ressalta que grande parte das empresas não tem condições ou estrutura para manter sozinhas um departamento de desenvolvimento tecnológico, portanto iniciativas como a incubadora da Católica e o Centro de Inovação de Jaraguá do Sul são essenciais para fomentar o desenvolvimento. "E até as grandes empresas buscam novas ideias e novas tecnologias nas universidades", relembra.

Tecnologia será exportada

A tecnologia desenvolvida pela Artama não será apenas usada no Brasil, mas também será exportada para a Europa, onde será fabricada pela espanhola Equipamientos Eólicos S.L., parceira da Artama. "É muito importante isso, que estejamos exportando essa tecnologia, para nós e para Jaraguá", diz.

A empresa  jaraguaense se tornou referência na adequação de padrões dentro do setor, o que resultou em convite para apresentação dos seus cases no maior Congresso Internacional do setor de Energia Eólica, a WindEurope 2018, que acontece junto a maior feira do setor em Hamburgo, na Alemanha, no mês de setembro.

"Será a oportunidade não só de divulgar o trabalho das empresas envolvidas, mas também de divulgar um pouco do trabalho de pesquisa e desenvolvimento que somos capazes de desenvolver aqui em nossa cidade, que está cada dia mais convertendo-se em um importante polo de desenvolvimento de novas soluções tecnológicas", celebra.

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