O julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quarta-feira (4), se desenrolou cercado de expectativas e incertezas que trouxeram reflexos para o mercado. Até o fechamento da edição, às 22 horas, a sessão somava cerca de oito horas de duração, com 5 votos contra o habeas corpus e 3 à favor. Réu em um dos maiores processos por corrupção na história do país, o ex-presidente condenado em segunda instância pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4) teve o pedido levado ao plenário do STF pela primeira vez no dia 22 de março. O mercado reagiu com instabilidade ao longo do dia: na antecipação do julgamento, o índice Bovespa chegou a cair 2%, durante a manhã, se recuperou lentamente ao longo do dia, antes de fechar com queda de 0,31%, aos 84.359 pontos. Parte da relutância do mercado perante o julgamento no STF estava ligada a possível candidatura do petista à presidência, no caso de uma decisão favorável, e o dilema jurídico que resultaria disso em um ano eleitoral que já é naturalmente marcado por instabilidade e volatilidade nos mercados financeiros. Por sua vez, a cotação do dólar fechou em seu maior valor desde maio do ano passado, em R$ 3,3403, com alta de 0,07% ante ao real. Durante o dia, a moeda chegou a R$ 3,3678 - as maiores cotações desde o dia 17 de maio, quando a moeda americana fechou a R$ 3,3836. Conforme a pressão e a especulação quanto ao resultado diminuíam ao longo do dia, a cotação seguiu rumo a estabilidade. No mercado nacional, os investidores seguiam em compasso de espera pelo julgamento. Externamente, o mercado seguia em busca de ativos seguros - como o dó- lar - por conta da tensão comercial entre EUA e China, que deixou os investidores relutantes em assumir uma posição. O Banco Central não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio. Um total de US$ 2,565 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares, vencem em maio.