O desempenho da economia catarinense praticamente retornou ao patamar pré-crise, informou a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), em estudo compilado de dados do Banco Central e de outros órgãos estatais apresentado nesta terça-feira.

No acumulado do ano até setembro, conforme dados do Banco Central, estima-se que o Produto Interno Bruto do estado (PIB) cresceu 2,7%, acima da média nacional, que foi 1,2% no período.

Com isso, o desempenho estadual está apenas 0,5 ponto percentual abaixo do registrado em 2014, último ano antes do início da crise. No mesmo comparativo, o PIB do país caiu 6,2%.

Os dados foram apresentados pelo presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar, em Florianópolis. O estado também tem registrado quedas menores que as do país: em 2016, o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCr) de Santa Catarina registrou queda de 9%, ante 10% de queda no IBC.

Estes números são mais positivos para a indústria: de janeiro a outubro a produção industrial cresceu 4,4% na comparação com o ano passado, enquanto as vendas do setor avançaram 13,3% e a exportação 4,8%.

A  importação de insumos e maquinário cresceu 24,1% e o setor fechou o período com saldo de empregos de 22,5 mil vagas. Em Jaraguá do Sul, do saldo de 2.235 empregos gerados no ano até outubro, quase metade  - 1.083  empregos - eram na indústria de transformação.

O estado registra uma diferença de 10% na perspectiva de emprego em comparação com o nacional: o índice de perspectiva de emprego fechou o mês de novembro em 56,7 pontos em Santa Catarina, ante 50,8 no país.

A Fiesc mantém confiança no desempenho para 2019.

“Apesar da paralisação dos caminhoneiros e das eleições, a indústria catarinense iniciou um consistente processo de recuperação neste ano. Estima-se que a economia brasileira cresça 2,5% em 2019, mas em Santa Catarina esse desempenho tende a ser melhor. Isso porque o índice de confiança do industrial é o maior desde o início da série histórica (66 pontos em novembro) e está puxando também a intenção de investir”, afirma Aguiar.

Recuperação e espera por ações do governo

O vice-presidente da entidade para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, ressalta que o desempenho do estado foi bastante favorável ante ao resto do país. Mas ainda não se pode falar em crescimento: enquanto o país segue ainda com quadro de recessão, o estado está estagnado.

"É importante mostrar que estamos ainda a caminho de uma recuperação, ainda estamos longe dos patamares econômicos que tínhamos antes da crise e aquém dos empregos que mantínhamos em 2014. O estado ainda não recuperou plenamente estas perdas", diz.

Nem todos os dados são de todo positivos, no entanto: a capacidade industrial segue subutilizada, com o estado usando apenas 77,8% de sua capacidade.

O estoque registrado ao final do período está 13,4% acima do planejado, marcando 56,7 pontos na avaliação - a nota ideal é 50. Quanto maior o numero, mais o estoque superou o planejado, enquanto números menores indicam saída mais alta do que a esperada.

O presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), frisa importância das eleições neste otimismo. " As urnas deram o recado de que o país precisa mudar. Houve em 2018 uma mobilização da sociedade quanto à necessidade de se retomar a credibilidade", diz.

Ele destaca que o Brasil tem um mercado represado tanto em termos de produção quanto de potencial de consumo, e que a recuperação depende de medidas do governo federal e estadual.

"É preciso dar mais segurança a quem produz, e isto vem com a segurança fiscal, que está merecendo a atenção tanto no plano federal como no estadual, há sinais claros neste sentido, de buscar maior equilíbrio entre receita e despesa ", avalia Ramos.

A confiança maior do empresariado se vê na diferença em índices que apontam possibilidade de investimentos. Em Santa Catarina, o Índice de Confiança Industrial (ICI) encerra o período em 66,6 pontos, contra 63,2 na nota nacional.

O Índice de Intenção de Investimento, por sua vez, passa de 55,0 no país para 63,1 no estado, uma diferença de 8 pontos. Os indicadores são medidos de 0 a 100.

Economia catarinense em números

 

 

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