A dívida pública federal disparou para R$ 9,268 trilhões em junho, após crescer 2,61% em apenas um mês, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional. O valor já se aproxima do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que totalizou R$ 12,7 trilhões em 2025, e reforça a preocupação com o aumento dos gastos do governo para financiar suas despesas.
Na prática, quanto maior a dívida, maior também é o valor gasto com juros. Isso reduz a capacidade do governo de investir em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança, além de dificultar a queda dos juros da economia (atualmente em 14,25%), o que acaba pesando no orçamento das famílias, no crédito, nos financiamentos e no custo de vida.
O Tesouro Nacional afirmou que essa disparada foi influenciada pelo aumento da curva de juros, “refletindo as mudanças de expectativas no ciclo de política monetária, em contexto de incertezas com o cenário externo”. A pasta também citou a postura mais rígida do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, como um dos fatores que pressionaram os mercados.
O avanço da dívida foi impulsionado principalmente pela emissão de R$ 143,35 bilhões em novos títulos públicos e pela incorporação de R$ 85,16 bilhões em juros ao estoque da dívida. Com isso, o custo médio da dívida também aumentou e passou de 12,31% para 12,68% ao ano, elevando as despesas do governo para manter esse endividamento.
A maior procura por títulos atrelados à taxa Selic também chamou atenção, representando 49,3% de toda a dívida pública federal. Esse aumento indica que investidores continuam buscando aplicações mais protegidas em um ambiente de maior incerteza econômica.
Enquanto a dívida cresce, integrantes do governo discutem internamente mudanças no arcabouço fiscal para tornar as regras de controle dos gastos mais rígidas em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as propostas em análise estão a redução do limite de crescimento anual das despesas de 2,5% para 1,5% e criar novos mecanismos para conter o avanço dos gastos obrigatórios.
Os números mostram que a economia brasileira continuou crescendo, com o PIB avançando 2,3% em 2025 e alcançando R$ 12,7 trilhões. No entanto, o aumento acelerado da dívida amplia a pressão sobre as contas públicas e torna mais difícil reduzir os juros, controlar os gastos e aliviar o custo de vida enfrentado pelos brasileiros.
Alerta do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem alertado que países com dívidas elevadas precisam adotar políticas fiscais críveis para evitar que o crescimento dos juros e das despesas comprometa a estabilidade econômica no longo prazo. Segundo o organismo, o aumento persistente da dívida amplia a vulnerabilidade a choques externos, reduz a confiança dos investidores e pode elevar ainda mais os custos de financiamento do governo, criando um ciclo que dificulta a recuperação das contas públicas.
“A política fiscal deve permanecer focada na reconstrução das reservas fiscais e em colocar a dívida pública em uma trajetória firmemente descendente. […] Manter uma consolidação fiscal crível será essencial para fortalecer a confiança e preservar a estabilidade macroeconômica”, afirmou a instituição em um relatório recente.
Segundo o FMI, quando a dívida cresce de forma persistente, o governo precisa destinar uma parcela cada vez maior do orçamento para pagar juros aos credores, reduzindo o espaço para investimentos públicos e dificultando a estabilização das contas. O organismo defende que a dívida seja colocada em uma “trajetória firmemente descendente” para preservar a confiança na economia e evitar que o custo de financiamento continue aumentando.
* Com informações da Gazeta do Povo.