pagina 7   Pensar o futuro de uma cidade nunca é fácil – exige cautela, uma boa dose de realismo e disposição para alcançar o que se almeja. Mas, se o futuro se faz agora, podemos afirmar que Jaraguá do Sul está indo muito bem. Reconhecida pelo Governo do Estado como a Capital Catarinense da Inovação Tecnológica, a cidade sempre direcionou esforços na busca por novos caminhos e, agora, vê ganhar vida um de seus projetos mais arrojados: o Parque Tecnológico Distrito de Inovação. Criado em 2014 a partir de um estudo da Fundação Certi, o parque surge com o intuito de levar o município a um novo patamar tecnológico e inovativo. Formado por 11 instituições de ensino, pesquisa e fomento, entre elas o Centro de Inovação e o Instituto Senai de Inovação, o projeto visa fortalecer a economia e criar um ambiente mais propício ao desenvolvimento de novas soluções. De acordo com o diretor de desenvolvimento do Instituto Jourdan, Márcio da Silveira, além das obras do Centro de Inovação, que está com 50% da estrutura concluída, o Instituto Jourdan trabalha na minuta da lei que irá estabelecer oficialmente o parque tecnológico. O documento deve ser encaminhado para a Câmara de Vereadores até junho deste ano. “As iniciativas dos distritos de inovação no planeta fizeram uma transformação no local. Elas buscam fazer com que os espaços urbanos sejam importantes locais para se trabalhar, viver e se divertir. No caso de Jaraguá do Sul, busca-se ampliar a matriz econômica oferecendo oportunidade aos empreendedores de executarem investimentos em setores que crescem mais do que a média mundial”, resume Silveira. Mais do que alocar empresas e instituições de ensino em um só espaço, o parque irá estimular a sinergia entre estes pilares, que juntamente com o poder público formam a chamada tríplice hélice da inovação. “Não existe uma maneira mais eficiente de impulsionar o desenvolvimento de uma cidade do que através da inovação. Temos que criar esta sinergia, juntar esforços. Temos um celeiro fértil para o desenvolvimento de empresas aqui, só precisamos oferecer o ambiente propício”, acredita o vice-presidente de desenvolvimento empresarial da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), Moacyr Rogério Sens. O principal benefício, segundo Sens, é a aderência do projeto à realidade do município, uma vez que ele foi criado com base nas potencialidades e demandas locais. “Queremos uma Jaraguá do Sul que seja referência nacional em inovação aplicada à economia tradicional. Isso significa criar empreendedores e fomentar novas empresas, que não precisam ser grandes empresas, mas com uma base tecnológica forte”, destaca Sens, que também integra o Conselho da Fundação Certi. Conforme o reitor da Católica de Santa Catarina, Robert Burnett, em suma, tal cenário ajuda a dinamizar a atividade econômica local, introduz o meio acadêmico (que passa a ter um papel importante na promoção de ações e programas de inovação) e pressupõe o uso de uma base científica de apoio em que a disseminação do conhecimento é facilitada.   Educação é a base da inovação Vista como a base do processo de inovação, a capacitação profissional é, e continuará a ser uma demanda importante das empresas que buscam se destacar. Neste contexto, as instituições de ensino assumem o papel de formar profissionais com visão de mercado, capazes de criar soluções direcionadas. “Não é alguém que simplesmente executa uma ordem, ele encontra novas formas de lidar com os problemas. É perspicaz, conectado com a sociedade e com a realidade das empresas, que cria uma metodologia e coloca soluções em prática”, define o coordenador de pesquisa e inovação do IFSC, William José Borges. Além disso, na visão de Borges, a proximidade das instituições de ensino com as empresas possibilitará uma parceria importante em termos de pesquisa. “A tendência é as empresas se apoiarem nas universidades em busca de soluções eficazes”, avalia. A Fundação Certi identificou cinco setores-chave para a economia do município, que são: eletroeletrônico; fabricação de produtos têxteis e vestuário; metal mecânico; alimentação; e tecnologia de informação e comunicação (TIC). O Instituto Senai de Inovação é um bom exemplo de como a pesquisa e a educação devem ganhar força a partir deste contexto. Formada por um centro de pesquisa e um campus de engenharia e pós-graduação, a instituição traz a proposta de congregar diferentes frentes em prol da competitividade local. “Este trabalho é fundamental para a geração de emprego, aumento da vida útil das empresas e crescimento do mercado. Significa, acima de tudo, instigar a cultura da inovação e dar condições para que ela se concretize”, avalia o diretor regional do Senai, Michael Eberle Siemeintcoski. O principal desafio, entretanto, é garantir que os talentos formados na cidade continuem a integrar a cadeia local. “No futuro, teremos profissionais muito mais qualificados, os quais teremos que reter. Neste sentido, o parque contribuiu imensamente, pois ajuda a explorar grandes dificuldades atrativas para grandes mentes”, destaca ainda Borges, do IFSC. Inovação para todos Em junho deste ano acontece o 2° Circuito Habitats da Inovação e Empreendedorismo. A iniciativa é uma parceria do Instituto Jourdan, o Centro de Inovação e a Prefeitura de Jaraguá do Sul, e servirá para discutir aspectos estruturais do parque tecnológico e promover a cultura da inovação no ambiente empresarial. O evento é gratuito e será voltado a empreendedores, estudantes, professores, funcionários públicos e gestores de empresas. Em setembro do ano passado, mais de 300 pessoas participaram da primeira edição do evento, que abordou o tema “habitats da inovação”.