Identificar as fraquezas e potencialidades do mercado a fim de dar subsídios para um desenvolvimento econômico mais sustentável. É este o objetivo da etapa de entrevistas do Programa de Desenvolvimento Econômico Local (DEL), que teve seus resultados divulgados ontem (26) na Associação Empresarial de Schroeder (Acias). O programa teve início em julho e é desenvolvido pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). pagina 12No total, 70 pessoas foram entrevistadas entre os dias 22 e 25 de agosto, sendo 37 empresários e 33 profissionais envolvidos com a economia local. Dentre os dados que chamaram a atenção, está o fato de que 94,3% dos empresários desejam investir no município, apesar do cenário adverso. “Este é um dos maiores índices já registrados no DEL e demonstra que Schroeder é um campo fértil para investimentos”, avalia o coordenador de projetos da Facisc, Osmar Vicentin. Segundo a pesquisa, 80,6% dos entrevistados consideram positivo o diálogo entre o poder público e a comunidade e 63,3% avaliam os serviços da administração pública como sendo de qualidade. Além disso, é quase unanimidade a visão de que é preciso investir no setor turístico, pensamento compartilhado por 95,2% dos entrevistados. No que diz respeito à força de trabalho, 83,3% avaliam que a mão de obra do município é qualificada, apesar de apenas 39,3% considerarem a oferta de capacitação suficiente para a necessidade local. “O que se nota a partir da análise dos entrevistados é que existe capacitação, mas ela não é aproveitada como deveria. Também falta opção em termos de instituições voltadas para a tecnologia e a pesquisa científica”, explica o representante da Facisc. Cerca de nove mil pessoas são trabalhadores ativos em Schroeder, sendo que aproximadamente 4,5 mil atuam na cidade. As avaliações mais negativas estão no quesito infraestrutura. Conforme o levantamento, 45,9% dos entrevistados consideram o custo dos imóveis muito alto e 41,9% avalia como ruim a qualidade dos serviços de telecomunicações, apesar de reconhecerem que o cenário tem melhorado nos últimos anos. Neste quesito, o item mais bem avaliado foi a qualidade da água, vista como muito boa por 95,2% dos entrevistados. Localização e capacidade de expansão são pontos fortes O programa traçou ainda as principais fraquezas e potenciais do município. Conforme Vicentin, a localização estratégica, a alta capacidade de expansão, a qualidade de vida e o alto índice de igualdade social (o 4º melhor do Brasil) são pontos de destaque do município. Por outro lado, a falta de políticas para a atração de investimentos, a fraca infraestrutura viária, a falta de escoamento da produção e a dependência da região na geração de trabalho estão entre as principais fraquezas. Dentre as oportunidades, o estudo aponta os investimentos em turismo e agricultura, o fortalecimento do comércio e principalmente a promoção da cidade como um espaço atrativo para novos negócios. “Precisamos ter consciência de que investir é diferente de gastar, pois investimentos trazem notoriedade. Schroeder está fazendo este trabalho em um momento muito oportuno, quando os outros ainda não entendem o que fazer a cidade já estuda as possibilidades futuras”, salienta Vicentin. Para o presidente da Acias, Rogério Maldaner, a partir destes dados, a cidade poderá não só crescer, mas avançar também em qualidade de vida. “Temos que aprender a atenuar nossos pontos fracos e promover os pontos fortes, pensando num local ideal para viver. É lúdico, mas se as pessoas pensarem na mesma direção o sucesso vem mais rápido, é a motivação e o trabalho conjunto que traz resultados efetivos”, acredita o presidente e empresário. Agora, a próxima etapa do programa contempla a criação de um Conselho de Desenvolvimento com 30 participantes e, num segundo momento, a instituição de câmaras técnicas. O objetivo é traçar ações para os próximos 20 anos.