O cenário econômico instável tem refletido de forma mais intensa no mercado de trabalho das cidades interioranas. É o que indica um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgado esta semana. Segundo o levantamento, entre junho de 2014 e junho deste ano, o desemprego cresceu 78,4% no interior do país, enquanto nas capitais o nível de desocupação avançou 61,5%. Já os municípios que integram as regiões metropolitanas registraram taxa menos expressiva, de 19,4%. Conforme o levantamento, que utiliza como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o índice de desemprego no interior do Brasil chega a 10,6%, o que representa quase 6 milhões de desempregados. Há dois anos, o índice era de 5,9%. Nas capitais, a taxa de desocupação é de 7,44% e nas regiões metropolitanas, de 15,04%. De acordo com o economista e professor da Católica de Santa Catarina, Jamis Antonio Piazza, como os municípios do interior dependem de outros mercados para escoar suas produções, há uma tendência que os efeitos da crise sejam sentidos de forma mais intensa. “Nestas localidades, temos empresas que detém números altos de profissionais. Se elas entram em recessão e demitem, aquelas pessoas que moram nos bairros vão deixar de consumir no mercadinho, no restaurante, no comércio local. Isso acontece automaticamente”, exemplifica Piazza. Segundo o economista, há alguns anos a indústria passou a enxergar o interior do País como uma opção viável para estabelecer suas linhas de produção, motivada por mão de obra barata e incentivos fiscais. Isso impulsionou a geração de emprego nestas localidades. “Por isso agora nós também sofremos mais com esse processo de queda de renda e consumo. O pequeno comerciante tinha aquele consumidor garantido, que agora deixa de gastar com serviços e produtos da sua localidade em detrimento de outros gastos”, explica. Por enquanto, a previsão é que o desemprego se mantenha estável e só a partir do próximo ano comece a apresentar sinais de melhor, indica Piazza. “A queda do emprego foi muito agressiva e a recuperação será algo lento. Efetivamente, isso só vai começar a acontecer no próximo ano. Agora estamos em uma zona de conforto, que são as festas de fim de ano, onde naturalmente há uma euforia de consumo. Mas o emprego sazonal é de curto prazo. Temos que focar mesmo 2017, que é quando poderemos ver com mais clareza como fica essa questão no processo da economia”, aponta. desemprego Comparação Entre junho de 2014 e agosto deste ano, os cinco municípios da microrregião de Jaraguá do Sul registraram juntos a perda de mais de 9 mil postos de trabalho. Para efeito de comparação, no mesmo período a capital do Estado, Florianópolis, que detém quase o dobro da população, perdeu 8,7 mil vagas de emprego.