Quem passa pelas ruas centrais de Jaraguá do Sul está começando a reparar que as vitrines de lojas estão sendo enfeitadas com anúncios de promoções e liquidações. Após um Natal que não foi fácil para os comerciantes da cidade, eles buscam dar descontos que chegam a 80% para melhorarem as vendas.

Em uma loja de roupas e acessórios, a liquidação começou no último sábado (5) e deve ir até o final de janeiro. Segundo a gerente, Daniele Marquardt, os descontos são de 20% para esmaltes e biquínis, 30% para bolsas e roupas e o restante dos acessórios estão com 50%.

Daniele conta que o Natal foi abaixo das expectativas e pior do que os anos anteriores, mas ela tem a visão de que as coisas vão começar a melhorar.

"O pessoal segurou um pouquinho em dezembro, mas agora devem vir as pessoas que estavam esperando aparecer as promoções", avalia.

Em uma loja de eletrônicos e equipamentos musicais, desde a linha de televisores à violões estão com até 15% de descontos. As promoções começaram antes mesmo do Natal, o que não evitou que 2018 fosse um dos piores anos nas vendas, segundo conta o gerente Evandro Luis Roesel.

"Todos os comerciantes já esperavam que não seria bom, mas achávamos que seria um pouco melhor", relata.

Roesel diz que em 2018 até a Black Friday teve resultados ruins, mas com mudança de governo o sentimento de esperança paira por sua cabeça. "Acredito que as coisas tendem a melhorar, mas se não melhorar muitos estabelecimentos fecharão as portas", projeta.

Evandro acredita que as vendas tendem a crescer em 2019 | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Apesar da maioria dos comerciantes já estarem realizando promoções desde dezembro, outros preferem seguir outro esquema. Géssica Luana Lopes gerencia uma loja de roupas que começará as liquidações somente na próxima segunda-feira (14).

"Tem coisas em promoção já, mas a liquidação mesmo vai começar na próxima semana, com até 30% de descontos", comenta.

Géssica diz que a época natalina trouxe bons resultados, mas quando comparado com momentos anteriores, o resultado não foi muito positivo.

Paciência para encontrar a melhor promoção

Com duas sacolas cheias na mão, a aposentada Julia de Souza Viera, 61 anos, decidiu substituir a data das compras de fim de ano. Anteriormente, ela passava pelas lojas em dezembro, mas dessa vez esperou a segunda semana de janeiro para abrir a carteira.

"Compensa mais vim agora, é o momento que as promoções aparecem", diz.

Julia não gosta de sair de casa com um local definido para comprar, ela prefere analisar bem os locais com mais descontos para não afetar tanto o seu bolso.

"É preciso ter paciência e cautela na hora das compras, ainda mais no momento difícil que vivemos", cita.

CDL acredita que vendas ficaram "dentro das expectativas"

Na contramão do que dizem os comerciantes, a CDL (Câmara de Dirigentes Logistas) de Jaraguá do Sul acredita que as vendas de fim de ano foram dentro das expectativas, mas o número real só será divulgado na próxima sexta-feira (11).

Antes mesmo do Natal, o presidente da CDL em Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert, comentava que o fluxo de pessoas nas lojas era melhor do que os últimos quatro anos, o que ele acredita que deverá ser comprovado com a pesquisa.

O presidente da CDL em Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert vê 2019 como o ano de uma recuperação no comércio, acreditando que as vendas vão aumentar. "A expectativa é que a economia melhore e consequentemente as vendas também", destaca.

Números nacionais são os melhores desde 2014

Enquanto em Jaraguá do Sul os donos de lojas lamentam um Natal abaixo da expectativa, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) divulgou dados que mostram um aumento nas vendas de Natal.

De acordo com o levantamento, o gasto médio do brasileiro com o total de presentes foi estimado em R$ 115,90. A previsão era de que a data movimentasse cerca de R$ 53,5 bilhões na economia.

As vendas nos 21 dias anteriores ao Natal teve um crescimento de 2,66% comparado ao mesmo período de 2017, sendo o segundo ano seguido com crescimento.

A  economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, diz que os números refletem o clima de confiança e otimismo dos brasileiros. "Observa-se uma perspectiva positiva do cenário pós-eleições, que estimulou muitos consumidores a irem às comprarem neste Natal”, avalia.

 

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