Visto como o principal indicador macroeconômico de uma cidade ou país, o Produto Interno Bruto (PIB) é responsável por analisar o potencial produtivo e o nível de riqueza de uma região. E quanto mais se produz, mais se consome, investe e vende. Nos últimos cinco anos, o cenário econômico brasileiro levou a uma retração da produção e PIB com resultados pouco significativos. No período, o país manteve um crescimento médio de 1%, até atingir uma retração de 3,76% em 2015, conforme estimativas. “Para este ano, o mercado já trabalha com um índice negativo de 3%. Só o PIB industrial esta com estimativas negativas de mais de 4%, e o setor de serviços, maior empregador, tem previsão negativa de quase 2%. Já o setor dos negócios agrícolas tem previsão de crescimento em torno de 1,6%”, diz Anemarie Dalchau, economista e professora da Univille. No cenário internacional, a retração do PIB afeta diretamente a competitividade do país. Segundo Anemarie, a previsão de exportações para 2016 é de 200 bilhões de dólares, a pior desde 2009. “Nos chamados Brics, alternamos problemas de crescimento com a Rússia. Já a Índia e a China, mesmo crescendo menos, são as melhores apostas de grupo no quesito crescimento econômico. Quando comparamos com os países desenvolvidos, também perdemos: até países europeus que amargam anos de recessão tiveram melhor desempenho em 2015 e tem previsões melhores do que nosso país para 2016”, analisa ela. Cenário em Jaraguá do Sul No caso de Jaraguá do Sul, o PIB posiciona a cidade como a quinta maior economia de Santa Catarina desde o início da série histórica do IBGE, em 1999. Em 2013, data mais recente do índice, o PIB da cidade foi de R$ 7.846.725.034,46, o que representou 3,7% do PIB do Estado. De acordo com o diretor de Desenvolvimento Econômico do município, Marcio da Silveira, a indústria de transformação é hoje o grande ponto forte da economia jaraguaense. “É ela a maior geradora de empregos e de comércio internacional. Além disso, o PIB gerado trabalha para a indústria e é influenciado por ela”, analisa. Para sustentar um crescimento significativo, Jaraguá do Sul tem criado uma série de mecanismos que contribuem para a geração de empregos e sobrevivência das empresas locais, acentua Silveira. “Dentro dos limites da lei, vamos priorizar as compras locais das micro e pequenas empresas e diminuir ainda mais a burocracia para abertura de empresas. Com o macrozoneamento, criaremos duas novas áreas industriais que estarão à disposição de novos investimentos e devemos contar com o Centro de Inovação a partir do segundo semestre gerando uma nova dinâmica na economia local”, detalha ele. Em um levantamento feito pelo Instituto Jourdan, constata-se que entre 2010 e 2013 Jaraguá do Sul ficou entre cidades que tiveram um crescimento do PIB maior do que o do Estado (39%). No período, o município cresceu 42%. Segundo Silveira, isso mostra que os municípios que cresceram abaixo da média de Santa Catarina têm problemas, não conseguem alcançar a dinâmica econômica do Estado. “Por outro lado, apesar de nossa economia crescer acima da média do Estado, ela cresce menos do que principais concorrentes diretos, principalmente São José. Só isso já explica a queda que o município teve no Índice de Participação dos Municípios”, diz ele. Em 2011, a participação do município no PIB catarinense era de 3,8%. O número que caiu para 3,6% em 2012 e voltou a 3,7% em 2015. A economista e professora da Univille Anemarie Dalchau explica o que é levado em conta na hora de montar o índice e esmiúça as principais etapas do processo O que é o PIB? Produto Interno Bruto (PIB) é o balanço da atividade econômica de um país, a soma de todos os bens e serviços que o país produz em um ano. “É um indicador que objetiva acompanhar, no aspecto macroeconômico, o fluxo de produção”, define Anemarie. Qual é a importância do PIB? “O PIB é o principal indicador macroeconômico de um país. É referência para a tomada de decisão do governo, por exemplo, quanto à adoção de políticas econômicas, definição de investimentos e outros aspectos semelhantes”, indica a economista. Um PIB em crescimento estimula investimentos, demonstra segurança econômica e interfere em como o país é visto no cenário internacional. O que entra na conta? É levado em conta Consideram-se os bens e produtos finais não duráveis e duráveis. “Ou seja, do pãozinho com manteiga com café até a geladeira, computador ou carro”, exemplifica Anemarie. Também entra na conta os serviços (como bancos e escolas, por exemplo), investimentos empresariais e gastos do governo que atendam às demandas da população. Não é levado em conta Como são contabilizados os bens e serviços finais, a conta não inclui os chamados bens intermediários, ou seja, aqueles que são usados como base para a produção de bens finais. “Isso porque geraria duplicidade de valores”, explica a economista. Também não entram serviços não remunerados, produtos existentes ou produzidos em anos anteriores e a economia informal. Como é feito o cálculo? PIB = Consumo + Investimentos + Governo + Exportações – Importações Consumo: tudo aquilo que é comprado e consumido diariamente pela população para seu sustento ou lazer Investimentos: todo o dinheiro aplicado pelas empresas no país Governo: diz respeito às despesas do poder público como agente econômico Exportações e importações: é a balança comercial do país, que soma as exportações e deduz as importações O que significa quando a variação do PIB está acima de zero? “Quando o PIB apresenta valores positivos, ou seja, acima de zero, significa que o país teve saldo positivo nos seus indicadores produtivos”, diz Anemarie. Em outras palavras, significa que ele está crescendo. A lógica contrária vale para quando o número está negativo. Na prática A economia cresce, as empresas crescem, aumenta o número de contratações, há mais dinheiro disponível internamente, novas empresas surgem no mercado, cresce a oferta de empregos, a renda per capta melhora, o consumo aumenta, aumenta a oferta de produtos e serviços, cai o preço desses produtos e serviços, controlando a inflação. Que fatores prejudicam o crescimento? Tudo aquilo que desestimule ou afete os indicadores inclusos no cálculo: Consumo “Por exemplo, questões salariais, disponibilidade de crédito, taxa de juros, inflação e desemprego afetam o consumo das famílias, que deixam de consumir e consequentemente comprometem o crescimento do PIB”, detalha Anemarie. Investimentos empresariais “A insegurança política, a falta de clareza nas políticas econômicas do país, o custo e o prazo para obtenção do crédito, a falta de matéria-prima e as leis trabalhistas são fatores que interferem positiva ou negativamente na decisão dos empresários”, comenta a economista. Gastos do governo “Toda vez que há cortes, há comprometimento do crescimento do PIB, já que, para fazer obras, o governo precisa comprar materiais e contratar empresas ou mão de obra”, detalha ela. Balança comercial A falta de uma política que incentive as exportações, de crédito e os juros altos comprometem a produção. Economia internacional em queda afeta o comércio do país com mercados internacionais.