Basta uma volta rápida pela região central de Jaraguá do Sul para perceber que o número de salas comerciais vazias tem crescido. Placas de “aluga-se” estão se tornando comuns em meio às vitrines e promoções – só no calçadão é possível contabilizar dez imóveis comerciais para locação. Se somadas as salas disponíveis na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca e na Rua Reinoldo Rau, o número é mais expressivo: são 43 imóveis vazios aguardando locação. O cenário, segundo especialistas, é reflexo da junção de dois fatores: os preços altos dos aluguéis, estimulados pela alta demanda dos últimos anos, e a queda nas vendas do varejo, que refletem diretamente no faturamento dos comerciantes. Para se ter uma ideia, nos últimos 12 meses o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação o aluguel”, cresceu 12,21% no Brasil, enquanto em maio Santa Catarina já havia acumulado queda de 7,2% nas vendas do varejo, levando em conta o acumulado desde maio do ano passado. Para a gerente de uma loja de roupas do calçadão, Lourdes Stein, de 42 anos, o aluguel está entre as contas que mais pesam no orçamento. Hoje, mais de 15% do faturamento é destinado para este fim. “Trabalho há 20 anos como comerciante e nunca vi o calçadão com tanta loja fechada. Nos últimos anos o aluguel e as despesas subiram muito, enquanto as vendas não se mantêm”, comenta Lourdes. Segundo a comerciante, o preço médio de uma sala pode variar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, mas dependendo do local e da estrutura o valor pode ir muito além. “Aqui na loja conseguimos negociar para manter o preço do aluguel. Muitos proprietários estão vendo que às vezes é mais prejuízo ficar com a sala vazia”, aponta ela.

Girola - emPresidente da Associação de Imobiliárias, Juliano Girolla, diz que a situação é favorável comparada ao Estado

 Em uma loja especializada em instrumentos musicais, a solução encontrada foi sublocar parte da estrutura para dividir os custos com aluguel. Segundo o gerente João Pereira, de 51 anos, a loja investiu na ampliação do primeiro piso e liberou o segundo andar para outro comércio. “Em um mês já recebemos muita procura, estamos confiantes de que logo vamos conseguir locar. Com a queda no movimento, é preciso encontrar alternativas inteligentes”, destaca. De acordo com o representante do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de Santa Catarina (Sindimóveis-SC) na microrregião, Vilson Silveira, a tendência é que a queda na demanda impulsione uma baixa nos valores dos aluguéis na cidade, motivado principalmente pela flexibilização dos proprietários, mais dispostos a negociarem. “Se fôssemos seguir o IGP-M seria totalmente inviável para o comerciante, então esse ajuste acaba ficando abaixo na maior parte das vezes. Daqui pra frente o setor está confiante de que comecem a surgir sinais de melhoras, até porque os altos juros dificultam o financiamento, tornando a locação mais atrativa”, analisa o especialista. Segundo ele, de forma generalizada, hoje o valor de locação de uma sala comercial no Centro varia entre R$ 10 e R$ 15 o metro quadrado. Para o presidente da Associação de Imobiliárias de Jaraguá do Sul, Juliano Girolla, apesar da queda na procura por imóveis, a cidade ainda tem uma situação favorável em frente ao cenário estadual, o que tem ajudado a manter o setor confiante. “Temos ‘âncoras’ que ajudam a segurar o cenário, empresas que mesmo na situação atual conseguem segurar a confiança do mercado”, acredita.