Desde o começo da vida profissional, Eliete Maria Caviguioli, 50 anos, já tinha em mente um sonho: ser dona do próprio negócio. Hoje, a empresária da indústria têxtil mantém duas unidades e cerca de 800 colaboradores. O Grupo Elian, negócio que começou pequeno, soma 25 anos de história e permanece em crescimento. Apesar de enfrentar um período de crise no setor, Eliete se diz otimista e espera aumento de 30% nas vendas para o próximo ano.  Se a expectativa da empresária se confirmar, haverá margem de recuperação, já que a empresa registrou uma queda de 10% nas vendas neste ano e, com isso, precisou reduzir em até 18% os preços para o consumidor. A presidente fala em expandir as vendas para fora do Brasil. Como a crise afetou o setor têxtil e o Grupo Elian? Crise sempre afeta, mas Jaraguá do Sul é a última a ser afetada, pois eu acredito que a população do município trabalha muito e vive em função do negócio. Dentro dessa crise em que vive o país, nós como empresa tivemos redução de compra por parte do consumidor, de 10%, baixando a demanda dos nossos produtos forçando a baixa dos preços dos produtos. As pessoas no geral colocaram o pé no freio e passaram a consumir com mais cautela Qual é destino dos produtos atualmente? Vendemos para todo o Brasil e vendemos alguns produtos para outros países, como Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Costa Rica, Panamá, Palestina, Arábia Saudita e até Japão. E estamos prospectando Chile, Peru, Emirados Árabes. Hoje, esse trabalho significa 2% dentro do contexto de produção e venda. Quais as expectativas para os próximos meses? Sou otimista por natureza e temos um conceito de tocar o negócio com muita cautela. Tudo o que fazemos é com muita preocupação. O que ganhamos com o negócio investimos nele também e acho que está dando uma virada. O mercado vem sentindo uma melhora positiva e, como estávamos bem preparados, no sentido de mudança e possibilidade, estamos trabalhando com redução de custo investindo fortemente na criação e desenvolvimento dos nossos produtos para gerar o desejo de compra. Essa foi a preocupação que tivemos nesse momento de crise, pois crise foi e sempre vai ser de momentos e de oportunidades. Você deixa de ganhar agora para colher o resultado lá na frente. E o lucro de 2015 para 2016 será maior mesmo em período de instabilidade? Em um momento como este, você diminui custos e faz de tudo para gerar lucro. Você vai voltar a gerar lucro quando o mercado voltar a melhorar. Nesse momento é melhor se resguardar, em nível de investimento, e cuidar bem daquilo que tem melhorando custo, tempo, diminuindo algumas pessoas internamente, poucas, porque nos sensibilizamos com as pessoas neste momento de crise. Com tudo o que fizemos, passamos um período sem lucro, mas conseguimos manter as contas pagas dentro do prazo. Se a crise afetar ainda mais no setor, como driblar? Crises são cíclicas e elas nos fazem crescer muito, pois geram oportunidades e não acredito que a crise é uma realidade permanente. Se ela permanecer a ponto de você não conseguir pagar as suas contas, você tem que tomar uma atitude, de repente até fechar a sua empresa. A preocupação do Grupo Elian hoje está no ápice da nossa pirâmide, que é ter a segurança para pagar o fornecedor e o colaborador. As malhas usadas são produzidas internamente? Trabalhamos com toda a matéria-prima própria, produzindo desde a malharia até a peça pronta. Não temos um fornecedor principal, mas se tratando de valores, talvez o principal fosse o de fios, pois se demanda mais investimento por ser a matéria-prima principal. A que você atribui o sucesso da empresa? Às pessoas que estão aqui. É essa a filosofia de nós, empreendedores, que começamos o negócio sozinhos e temos essa responsabilidade diária. Trabalhamos com os filhos desde pequenos no negócio e temos uma dedicação integral, nunca desvirtuando o pensamento da empresa. Quando você diz que cada centavo que se ganha se investe, é a ponte de tudo, pois não adianta eu ganhar com a minha empresa e tirar o capital para investir em algo particular. As coleções são provenientes de que espelho da moda? Geralmente, fazemos trabalho de pesquisa na Europa, por ser um roteiro mais forte do que nos Estados Unidos. Tanto que tudo nasce nos continentes europeus com muita antecedência. Uma grande dificuldade para o mundo têxtil é o lançamento muito cedo da coleção de inverno. Como acontece o lançamento da coleção aqui no Brasil? Na Europa os lançamentos de inverno saem com um ano de antecedência. Essa questão do lançamento do inverno antecipado é uma dificuldade muito grande para a indústria, lojista e consumidor. Pois a empresa tem que investir muito cedo e o lojista tem que comprar essa coleção muito cedo. Cada ano que passa, as indústrias lançam mais cedo a coleção, pois cada um quer sair na frente. Qual é a principal dificuldade e a facilidade do setor? As dificuldades podem vir de várias formas, como concorrência que nos faz correr muito, o mundo da moda que é muito rápido, a velocidade de informação que se tem hoje. Esses são os fatores que me fazem acordar todos os dias e correr um pouco mais. E a facilidade são as oportunidades que existem no mundo da informação, que vem para nos desafiar, mas vem também para nos ajudar. Basta estar atualizado e você consegue inovar nos negócios.