Apesar da greve dos caminhoneiros ter entrado em um processo de desmobilização e de liberação dos bloqueios após a publicação da Medida Provisória reduzindo o preço do diesel em 46 centavos o litro, Jaraguá do Sul segue em uma crise de abastecimento, sem previsões de retomada.

Com o movimento fragmentado, a liberação das estradas ainda é parcial, e isso tem dificultado a retomada dos serviços de distribuição no país. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro começaram a ver a retomada das entregas, no Vale do Itapocu a distribuição ainda está parada.

Responsável pela distribuição de combustível, a Agricopel, ligada à Raizen, ainda não está recebendo combustível.

"Estamos tendo problemas com os caminhões nas bases, só estão conseguindo acesso às refinarias mediante liminar, e isso não garante que consigam chegar até as cidades", explica o empresário Paulo Chiodini, presidente da rede Mime.

De acordo com Chiodini, retomado o abastecimento, ainda levaria entre oito e dez dias para que a situação retome a normalidade. A distribuidora é atendida pela refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, bloqueada por manifestantes.

Foto Eduardo Montecino/OCP

Na segunda-feira, uma liminar emitida em nome do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis-PR) conseguiu o desbloqueio do terminal de carregamentos da Repar e a saída de 40 caminhões-pipa, escoltados pela polícia rodoviária federal.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina (Sindipetro-SC) conseguiu uma liminar no sábado para que a base de Guaramirim fosse liberada, mas a determinação não está sendo cumprida. O sindicato está entrando novamente com pedido para desbloqueio de todas as bases do Estado.

"Também estamos solicitando apoio dos deputados da região para que o Governo de Santa Catarina intervenha na situação e coloque os órgãos de segurança para escoltarem os caminhões tanques até os postos de combustíveis de todo estado", informou o sindicato, em nota.

Ainda não há um levantamento sobre o impacto financeiro que o setor petroleiro teve com a greve, mas segundo Chiodini, eles serão grandes.

A medida que desonera o diesel e congela seus preços deve custar aos cofres públicos R$ 9,5 bilhões, de forma a compensar as perdas das Petrobrás - despesas que seriam compensadas na forma de aumentos de impostos em outros produtos, medida descartada nesta terça-feira.  O corte, no entanto, não é compulsório e o governo federal conta com o "patriotismo" dos postos para que a redução seja repassada às bombas.

Falta de combustível afeta transporte

A crise de abastecimento também afetou o transporte rodoviário de passageiros. Segundo a Catarinense e a Reunidas, a situação ainda está estável, mas as empresas reiteram que é importante que os passageiros liguem com antecedência, devido a possibilidade de cancelamento.

Duas linhas da Reunidas - Jaraguá-Curitiba e Jaraguá-São Bento, ambas via Expresso São Bento - foram canceladas.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Da mesma forma, as linhas de ônibus de Jaraguá do Sul permanecer em horários reduzidos nessa quarta-feira (30) e sexta-feira (2), priorizando o horário de maior fluxo de passageiros – das 4h às 5h; 6h às 7h30; 11h30 às 15h; 17h às 18h30; e das 22h30 à meia-noite.

Na quinta-feira (31) e domingo (3), feriado de Corpus Christi, não haverá transporte coletivo. Já no sábado os ônibus funcionam das 7h às 8h; 11h às 12h; e das 13h às 14h.

Carência nos mercados está se agravando

Nos mercados, a carência de produtos segue crescente e o fornecimento ainda não foi retomado, tampouco há previsão para que seja. Na quinta-feira (24), o Procon de Santa Catarina autorizou o racionamento de produtos no estado, contanto que devidamente informado aos consumidores.

O Procon de Jaraguá do Sul realizou um levantamento  com os supermercados do município. No começo da tarde de segunda-feira (28), batata e tomate eram os únicos itens que estavam faltando nos seis estabelecimentos visitados.

Banana havia em apenas dois. Feijão, farinha de trigo e leite ainda eram encontrados em três supermercados. Carne, açúcar, arroz e óleo, são outros itens que compõem a cesta básica e que já estavam em falta em alguns estabelecimentos visitados pelos fiscais.

Com caminhões circulando pela cidade, a distribuidora de alimentos Oesa está atendendo apenas questões emergenciais e aderiu à greve, segundo o departamento de marketing da empresa. Os caminhões estão parados e a distribuidora não está mais recebendo cargas.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

A Associação Catarinense de Supermercados (Acats) se manifestou, frisando que os únicos produtos que estão sendo distribuídos são oriundos de fornecedores próximos aos pontos de venda e que a situação ainda não é alarmante, mas já começa a preocupar. O desabastecimento era esperado, pois há mais de uma semana que os supermercados estão sem receber produtos.

Os problemas na reposição de produtos perecíveis deve se estender para mercadorias da área da padaria caso não seja retomado o abastecimento, pois há falta de trigo e interrupção no abastecimento do gás de cozinha. Outras mercadorias que podem ter problemas nos próximos dias são massa, farinha e azeite.

O Procon também entrou com contato com 24 estabelecimentos que comercializam gás de cozinha, sendo que em nenhum deles há produto para disponibilizar ao consumidor.