A reciclagem tem crescido em Jaraguá do Sul: abrindo o ano a menos de 8% do lixo gerado, o último trimestre do ano abre com taxas de reciclagem acima da faixa de 20%, segundo o Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto).

Entre junho e agosto foram recicladas 1.368 toneladas, sendo 19% de todo lixo gerado em Jaraguá do Sul. Setembro, por sua vez, fechou o mês com 22% do lixo reciclado.

A volta do saco verde foi essencial para o resultado e tem resultado em recuperação para as cooperativas e empresas que trabalham com reciclagem em Jaraguá do Sul.

No começo do ano, os dados do Samae  indicavam que cerca de 100 trabalhadores tiravam o sustento da reciclagem, contratados por seis cooperativas credenciadas.

Atualmente, são cerca de 130 trabalhadores - o aumento foi de 30%. Segundo o presidente do Samae, Ademir Izidoro, é importante que os materiais recicláveis sejam devidamente recolhidos e encaminhados para as cooperativas.

Izidoro reforça que os materiais precisam ser devidamente recolhidos | Foto Arquivo OCP News
Izidoro reforça que os materiais precisam ser devidamente recolhidos | Foto Arquivo OCP News

Por conta disso, o Samae tem atuado na repressão da coleta clandestina de lixo - que também oferece riscos para a saúde pública e para a comunidade, além do impacto para a economia.

"Temos que parar com isso do nosso lixo reciclável ser levado para fora de Jaraguá do Sul, este material representa emprego e renda para vários trabalhadores", frisa.

Izidoro ressalta que o poder público criou as multas para fiscalizar caminhões de outras empresas e pessoas que coletam os recicláveis antes da Ambiental, empresa responsável pela coleta seletiva.

"Se nossos cooperados não receberem o lixo de Jaraguá, não terão com o que trabalhar", finaliza o presidente.

Resíduos criam oportunidades

Para as cooperativas de reciclagem, o ano tem sido de recuperação. Saindo de um período de perdas significativas - de um pico de 26 trabalhadores, a cooperativa caiu para oito ao fim de 2017 -  a Associação de Recicladores de Jaraguá do Sul - JVS tem se recuperado com a volta do saco verde, embora ainda esteja longe do ideal.

Hoje são 15 funcionários, segundo o cooperado Donato Antônio Dalcanaro, processando ao mês cerca de 50 toneladas de lixo. Das duas esteiras, uma está desligada por falta de pessoal. Em 2017, chegaram a trabalhar em meio período, por falta de trabalho.

"Passamos por um período muito ruim, agora com a volta do saco verde estamos nos recuperando, o problema maior é a falta de informação, as pessoas jogam muita coisa que não poderia, como fraldas, alimentos e até animais mortos", comenta.

Segundo Donato, recuperação tem sido gradativa | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Segundo Donato, recuperação tem sido gradativa | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Em sua avaliação, o percentual de reciclagem da cidade poderia ser muito maior. "Não digo 100% pois tem coisas que não dá, mas uns 80% acho que dava para chegar com um pouco de apoio e conscientização", avalia.

Segundo a membro do conselho fiscal da cooperativa Recicla Já, Telma Otênio Brandão, o trabalho com a comunidade para otimizara  separação dos resíduos é um ponto a ser trabalhado. Antes do retorno do saco verde, a cooperativa contava com sete cooperados - agora já são 10.

De acordo com ela, cerca de 20% do material recebido acaba sendo rejeitado, o que leva o Samae a ter que recolher novamente o material da coleta seletiva.

"Temos que fazer ainda um trabalho mais forte para conscientizar as pessoas, tem muita coisa no saco verde que não poderia estar lá, mas a volta do saco já nos deu um bom aumento no trabalho, o que ajuda a gerar mais renda para o cooperado", diz.

Em março deste ano, a cooperativa vendeu 22 toneladas de materiais reciclados; em setembro, foram 38 toneladas, um aumento de 72%.

País tem muito a avançar na reciclagem

Embora seja um resultado positivo, as estatísticas de reciclagem de Jaraguá do Sul ainda estão aquém do ideal ou das médias internacionais.

Enquanto Jaraguá do Sul recicla 22% do seu lixo - taxa similar a do Japão, o pior colocado entre os países desenvolvidos, com 21% - há países onde este total chega a passar da metade de todo resíduo produzido.

Segundo a ONG Planet Aid, Alemanha e Áustria reciclam mais de 60% do lixo gerado.

Segundo um estudo da União Européia, caso a meta de reciclagem do bloco, de 70%, fosse atingida, isso resultaria na geração de 322 mil empregos, em um bloco com o dobro da população e da geração de lixo do Brasil.

Extrapolando uma relação similar de emprego, cumprindo a mesma meta, o Brasil geraria cerca de 160 mil empregos com reciclagem caso atingisse a meta da UE.

Atualmente, o país recicla apenas 3% do lixo, segundo um estudo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). São gerados anualmente cerca de 80 milhões de toneladas de rejeitos por ano, dos quais apenas 2,4 milhões são reciclados - segundo o mesmo estudo, esse desperdício resulta na perda anual de R$ 120 bilhões para a economia nacional.

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