Com o país saindo de seu mais recente ciclo de recessão, o consumidor catarinense ainda segue cauteloso - mesmo nas compras para uma data tradicional como a Páscoa, revela a Pesquisa de Intenção de Compras do Núcleo de Pesquisa da Fecomércio - SC. Embora o poder aquisitivo das famílias tenha se mantido estável, as projeções de gastos seguem em queda após a leve recuperação registrada em 2017. A pesquisa, com consumidores dos sete maiores municípios do Estado, revelou que 34,1% das famílias afirmam estar em uma situação econômica mais favorável do que estavam no ano passado, e 42,1% alegam estar na mesma situação. Já 23% das famílias relataram estar em situação econômica pior do que a em que estavam em 2017. Apesar disso, a projeção de gastos para a Páscoa deste ano é 3% menor do que a de 2017: R$ 157,69, contra R$ 163,09 por compra. Os números reais de consumo de 2017, há de se levar em conta, ficaram 34% abaixo do projetado: R$ 106,48. Este não é o primeiro ano em que a projeção de compra diminui: de 2015 para 2016, a projeção de gastos caiu de R$ 158,21 para R$ 151,76 - valor menor do que o de 2014, de R$ 151,82. Por sua vez, de 2014 para 2015 o valor real das compras teve uma queda de quase 33%: de R$ 146,65, passou para R$ 94,95. Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert, esse comedimento no consumo não é apenas na Páscoa. “O consumidor catarinense é mais controlado não apenas na Páscoa, mas sempre. Ele é mais educado financeiramente, consegue gastar pensando em pagar”, explica. De acordo com ele, a queda na previsão de consumo não significa queda nas vendas, devido ao cenário estadual. “Acreditamos que, assim como nos outros anos Santa Catarina teve um crescimento acima da média nacional nas vendas do varejo, o mesmo vai ocorrer neste ano também”, explica.

Chocolate ainda é presente favorito, mas muitos optam por viajar

De acordo com o presidente da Fecomércio - SC, Bruno Breithaupt, o catarinense não vai deixar de consumir. “Mas ele está mais cauteloso, verificando os preços e as promoções. De um modo geral, o consumo no Estado vai cair cerca de 3,3%, mas em algumas cidades o consumo deve aumentar”, comenta. De acordo com ele, esse padrão de cautela se demonstrou em pesquisas de outros feriados, e se deve pela falta de aumento real na renda de muitas famílias e um índice de desempregados ainda elevado - no último trimestre, a taxa era de 6,7% no Estado. A percepção empresarial da Páscoa é favorável: segundo dados levantados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de SC (FCDL/ SC), quase metade dos consultados (47,3%) garantem que farão promoções e cerca de um quarto (26,3%) reforçou o estoque de produtos. De acordo com a pesquisa de intenção de compras feita pela Fecomércio - SC, 28% dos catarinenses pretendem adquirir produtos em promoção. O chocolate ainda é o presente favorito, optado por 92,3% dos consumidores, mas uma pequena parcela pretende dar presentes alternativos: 3,9% deve comprar roupas e sapatos, e 2,3% deve comprar brinquedos. Um destaque menor da pesquisa é a intenção de viagem: segundo os dados levantados pela Fecomércio, 12,2% dos entrevistados pretendem viajar durante o feriado de Páscoa - o volume de viajantes é pequeno, mas a maior parte dele deve se concentrar no próprio Estado de Santa Catarina: 58,2% dos entrevistados pretendem viajar para outras cidades catarinenses, seguidos por Rio Grande do Sul (14,6%) e Paraná (13,7%). A maioria dessas viagens é para visitar parentes, causa apontada por 61,2% das famílias.